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1,9 milhão de anos: Estudo confirma idade do segundo homo erectus mais antigo do mundo

Além disso, pesquisadores de diversos países, o que inclui o Brasil, também encontraram fragmentos da pélvis e de um osso do pé da mesma espécie

Fabio Previdelli Publicado em 22/04/2021, às 12h00

Fragmento da pélvis encontrada pelos pesquisadores
Fragmento da pélvis encontrada pelos pesquisadores - A. Hammond/AMNH

Um grupo de pesquisadores de diversos países, o que incluiu o Brasil, conseguiram determinar a idade do resto de um osso que pertencia a um Homo erectus, uma espécie extinta de hominídeo que viveu há cerca de 2 milhões de anos. Além disso, eles também encontraram outros dois fragmentos pertencentes a essa espécie.  

“Foi um trabalho 100% de detetive. Imagine a investigação de um caso antigo num filme. Tivemos de verificar centenas de páginas de relatos anteriores e trabalhos publicados, reanalisando as evidências iniciais e buscando por novas pistas”, explica Dan Palcu, coordenador da parte geológica do estudo e que realiza um estágio de pós-doutorado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). 

“Utilizamos ainda dados de satélite e imagens aéreas para encontrar onde os fósseis haviam sido descobertos, recriar o cenário e colocá-lo num contexto mais amplo para encontrar as pistas certas para determinar a idade dos fósseis”, completa Palcu em relato ao American Museum of Natural History, dos Estados Unidos. 

Para isso, primeiro o grupo analisou um fragmento de crânio que foi encontrado em 1974. Datado de 1,9 milhão de anos, o pedaço é um dos mais antigos do mundo, só perdendo para outro de 2 milhões de anos encontrado na África do Sul. 

Apesar disso, quando foi encontrado, há quase 50 anos, sua idade era contestada, porém, agora, os pesquisadores confirmaram essa informação no novo estudo. Além disso, eles também encontraram mais dois pedaços da mesma espécie, talvez do mesmo indivíduo, a apenas 50 metros de distância do local.  

Os fragmentos são de uma pélvis e de um osso do pé. Eles se tornaram os primeiros pedaços do corpo abaixo da cabeça já encontrado desse hominídeo, explica matéria publicada pela Galileu.  

“Este fóssil de Homo erectus é um dos mais antigos do mundo e é mais uma prova de que a espécie provavelmente se originou na África. O aspecto mais importante da descoberta é que, como existem apenas alguns fragmentos de esqueleto do H. erectus primitivo, cada osso nos ajuda a entender essa espécie e sua capacidade de usar ferramentas e colonizar grande parte da África e da Eurásia”, diz Luigi Jovane, do IO-USP, que supervisionou o trabalho de Dan Palcu, à Agência Fapesp. 

“O Homo erectus, até onde se sabe, é o primeiro hominídeo que tem um plano corporal mais parecido com o nosso e parecia estar no caminho de se tornar mais humano. Ele tinha membros inferiores maiores do que os superiores, um torso no formato mais como o nosso, uma capacidade craniana maior do que hominídeos mais antigos e é associado com a fabricação de ferramentas – é um hominídeo mais rápido e mais inteligente do que os do gênero Australopithecus e dos Homo mais antigos”, explica Ashley Hammond, curadora assistente do American Museum of Natural History e coordenadora do estudo. 

O estudo completo foi publicado no site da revista Nature