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Arqueólogos encontram dentes humanos usados como jóias há 8,5 mil anos

A descoberta rara pode ajudar a compreender rituais feitos na Turquia daquela época

Pamela Malva Publicado em 17/12/2019, às 08h00

Os dois dentes encontrados em Çatalhöyük
Os dois dentes encontrados em Çatalhöyük - Universidade de Copenhagen

Durante escavações em Çatalhöyük, um antigo sítio arqueológico na Turquia, arqueólogos encontraram braceletes e miçangas datados de 8,5 mil anos. Entre as contas arredondadas, uma descoberta intrigante: dentes humanos eram usados como pingentes.

Nos restos, os cientistas identificaram pequenos furos que, depois de análises microscópicas e radiográficas, confirmaram sua utilidade como acessórios. Segundo Scott Haddow, líder da pesquisa, os dois dentes encontrados foram perfurados com uma pequena 'furadeira' de formato cônico.

O mesmo objeto teria sido usado para criar as miçangas de ossos e pedras que foram encontradas junto dos dentes. “Eles mostraram sinais de desgaste correspondentes ao uso extensivo como ornamentos em um colar ou pulseira”, afirma Scott.

Bacelete e contas encontrados nas escavações / Crédito: Universidade de Copenhagen

 

De acordo com a pesquisa publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, os dentes provavelmente foram extraídos diretamente dos crânios de dois cadáveres, já que estavam saudáveis — o que indica que eles não caíram durante a vida. Segundo Scott, “o desgaste de mastigação nas superfícies dos dentes indica que os indivíduos teriam entre 30 e 50 anos”.

A recente descoberta traz à tona uma prática rara no sudoeste na Turquia, já que não havia evidências de dentes sendo usados como acessórios anteriormente na região. Agora, os arqueólogos buscam compreender porque os dentes eram usados dessa forma.

Radiografia que mostra a perfuração feita no dente / Crédito: Universidade de Copenhagen

 

Como as duas esperas não foram encontradas perto de cemitérios ou locais ritualísticos, os pesquisadores acham improvável que tenham sido usados apenas para fins estéticos. “Acreditamos que também tinham um significado simbólico profundo para as pessoas que os usavam”, analisa Scott.