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“A Caipirinha”, de Tarsila do Amaral, será leiloada com valor inicial de R$ 47 milhões

Valor é considerado um recorde para um artista brasileiro — obra é vista como uma das mais icônicas pintadas por Tarsila

Fabio Previdelli Publicado em 08/12/2020, às 12h02

"A Caipirinha", de Tarsila do Amaral
"A Caipirinha", de Tarsila do Amaral - Divulgação

Na próxima semana, em 17 de dezembro, quinta-feira, a Bolsa de Arte leiloará uma das obras mais icônicas da pintora Tarsila do Amaral: “A Caipirinha”, pintada em óleo sobre tela. Inicialmente, o leilão terá o lance de 47 milhões de reais, o que é um recorde para um artista brasileiro.  

Segundo notícia publicada no UOL, a obra de arte pertencia ao empresário Salim Taufic Schahin, um dos sócios do grupo Schahin, mas foi confiscada pela Justiça depois que a empresa faliu em 2018, em virtude de dívidas de cerca de 6,5 bilhões de reais, que surgiram após denúncia no escândalo da Lava Jato.  

“Nunca houve uma obra dessa relevância e deste valor sendo vendida no Brasil, por isso o leilão deve gerar uma grande expectativa. Até então, os dois recordes de vendas públicas no país eram de ‘Superfície Modulada nº 4’, de Lygia Clark, que alcançou R$ 5,3 milhões em 2013, e ‘Vaso de flores’, de Guignard, arrematada dois anos depois por R$ 5,7 milhões em valores da época”, declarou o presidente da Bolsa de Arte Jones Bergamin, conhecido como Peninha.  

“A Caipirinha” foi finalizada quando Tarsila viajou pela segunda vez à Paris, em 1923, década vista por muitos críticos de arte como a mais importante da trajetória de Amaral. A obra mostra a transformação da artista Modernista em uma ‘pintora de sua terra’.  

“Sou profundamente brasileira e vou estudar o gosto e a arte dos nossos caipiras. Espero, no interior, aprender com os que ainda não foram corrompidos pelas academias”, declarou Tarsila do Amaral na época.  

Sobre Tarsila do Amaral

Nascida no interior de São Paulo, especificamente em Capivari, Tarsila do Amaral foi uma das artistas mais conhecidas e influentes da história artística do Brasil. Suas obras são conhecidas mundo a fora, especialmente o Abaporu (1928).

Sua vida pessoal ficou marcada pelos relacionamentos com figuras ilustres do campo cultural do Brasil. Talvez, seu maior romance tenha sido com o escritor Oswald de Andrade, que foi um dos fundadores do movimento modernista do país (assim como Tarsila).

A importância da artista e a influência de suas obras era tamanha, que Abaporu inspirou Oswald a escrever o Manifesto Antropofágico, que marcaria para sempre a arte brasileira como um movimento de criação de uma identidade nacional.