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Com 15 cm e cabeça em formato oval: como foi desvendado o mistério da 'múmia alien'?

Há 18 anos, um homem encontrou o que parecia ser um pequeno extraterrestre no deserto do Atacama

Redação Publicado em 03/09/2021, às 14h04

Ata, a múmia encontrada em 2003
Ata, a múmia encontrada em 2003 - Divulgação/Bhattacharya

No ano de 2003, um morador da cidade chilena de Iquique chamado Oscar Muñoz fez uma descoberta que parecia insólita. No deserto do Atacama, em uma região próxima à igreja de La Noria, ele se deparou com um pequeno corpo enrolado em um tecido branco amarrado com uma fita roxa.

Segundo a fonte, as primeiras pessoas que se depararam com aquele pequeno ser de 15 centímetros, com cabeça em formato oval e protuberância no crânio, acreditaram se tratar de um feto ou, possivelmente, dos restos mortais de uma criança prematura. Entretanto, outras levantaram uma teoria mirabolante: se tratava de uma criatura não humana.

Desde então, difundiu-se a teoria de que a múmia poderia ser, na verdade, um alienígena. A possibilidade, porém, foi descartada por cientistas que estudaram o caso ao longo dos anos.

Múmia encontrada em 2003 / Crédito: Divulgação / vídeo / Youtube / La Vanguardia

 

A conclusão final veio no ano de 2018, quando saiu o resultado do genoma de Ata, como foi chamado o indivíduo. O estudo teve autoria de pesquisadores dos EUA, como o professor da Universidade de Stanford Carlos Bustamante e foi publicado na revista científica Genome Research.

Segundo o El País, Bustamante afirmou que "o espécime é 100% humano" e que se trata de um bebê do sexo feminino que teria morrido ao nascer.

Crescimento ósseo anormal

Um teste preliminar realizado no ano de 2013 já havia provado que o ser encontrado era humano. Porém, a partir do estudo mais recente, foi possível descobrir que ele não possui mais que 40 anos, além de que foram identificadas mutações em genes relacionados ao desenvolvimento de ossos e cartilagens.

Imagem ilustrativa da silhueta de um extraterrestre / Crédito: Imagem de Pawel86 por Pixabay

 

“Seu crescimento ósseo era o de uma criança de vários anos, o que nos diz muito sobre as mutações que portava”, disse o professor. Tudo leva a crer que a menina nasceu morta, apesar de sua estrutura óssea aparentar ser de uma criança entre seis e oito ano de idade.

Mutações nocivas

“Ata apresenta mais de uma mutação nociva, e os genes afetados estão envolvidos na morfologia humana”, explica Bustamante.

Ao todo, foram identificadas mutações em sete genes que possuem um papel fundamental no desenvolvimento dos ossos. Segundo os cientistas, essas anomalias explicariam o fato da menina ter nascido tão pequena, além da ausência de quatro costelas em sua caixa torácica.

Ufólogo analisa exames da múmia / Crédito: Divulgação / Documentário 'Sirius'

 

Uma criança mestiça

Com as análises, os pesquisadores ainda foram capazes de descobrir as origens de Ata. Segundo María Ávila-Arcos, especialista em genética populacional da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), ela “era uma menina mestiça, com parte europeia e parte nativa.”

“Quando comparamos seu genoma com o de populações de todo o mundo vimos que se agrupava com as populações latino-americanas, em particular as sul-americanas e, dentro destas, com as populações andinas”, explicou a coautora do estudo.

De acordo com a bióloga Sanchita Bhattacharya, da Universidade de Califórnia em San Francisco, “a análise bioinformática desta pesquisa mostra a potência e riqueza da informação aberta ao domínio público que leva ao descobrimento de novas e estranhas variantes mortíferas nos genes associados com o fenótipo de Ata”.

Confira o estudo completo por meio deste link.