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Desaparecida há mais de 20 anos: coroa etíope do século 18, que era mantida em apartamento, é devolvida ao país

Roubada nos anos 1990, a relíquia foi encontrada e escondida por um trabalhador refugiado que morava na Holanda

Pamela Malva Publicado em 20/02/2020, às 08h00

Abiy Ahmed com a coroa do século 18 em mãos
Abiy Ahmed com a coroa do século 18 em mãos - Divulgação/Twitter

Desaparecida há mais 20 anos, uma grande coroa etíope do século 18 foi devolvida para o país de origem na última quinta-feira, 20. Ela estava sendo mantida em um apartamento na Holanda, sob os cuidados de um trabalhador.

Em meados de 1970, o etíope Sirak Asfaw escapou para a Holanda como refugiado político. Patriótico e gentil, ele permitia que outros etíopes ficassem hospedados em sua casa. Certo dia, em uma das bagagens, ele encontrou a coroa.

Com a relíquia em mãos, ele entrou em um dilema: o que faria com ela? Por um lado, ele suspeitava que o governo da Etiópia teria sido cúmplice do roubo e, ao mesmo tempo, não queria entregar a coroa às autoridades holandesas.

Cerimônia de devolução da coroa / Crédito: Divulgação/Twitter

 

Ele tinha medo que, nas mãos de qualquer uma das entidades, a relíquia sumisse novamente. Assim, decidiu manter a coroa no seu próprio apartamento, onde ela ficou guardada por mais de 20 anos.

Em 2019, a Etiópia nomeou um novo primeiro-ministro, Abiy Ahmed. Sirak finalmente sentiu que poderia devolver a coroa, confiando no novo governo. Decidido, ele pediu ajuda de Arthur Brand, um caçador de obras de arte, para que a relíquia voltasse para casa.

Padre etíope com a coroa na cabeça, em 1993 / Crédito: Michael Gervers

 

O expert colocou a enorme coroa em uma instalação de arte holandesa com alta segurança e alertou a polícia do país. Em seguida, a peça foi analisada e autenticada. Ela era uma das 20 coroas litúrgicas existentes — que eram usadas em cerimônias cristãs ortodoxas.

A coroa, então, foi devolvida à Abiy Ahmed, que demonstrou toda sua animação pelas redes sociais. “Sou grato a Sirak Asfaw e ao governo holandês por facilitar seu retorno”, escreveu o político etíope.