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Enterro de homem germânico da alta sociedade, morto há 2.000 anos, é descoberto na República Tcheca

O corpo, que foi velado em um caixão de madeira, estava vestido em um traje formal completo que, entre outras coisas, continham decorações representativas de bronze

Fabio Previdelli Publicado em 11/02/2020, às 12h28

Enterro de dignitário germânico de mais de 2.000 anos é descoberto na República Tcheca
Enterro de dignitário germânico de mais de 2.000 anos é descoberto na República Tcheca - Divulgação

Arqueólogos encontraram os restos de um alto dignitário germânico que ficou intacto por mais de dois milênios enterrado no subsolo da cidade de Uherský Brod, na República Tcheca, perto da fronteira com a Eslováquia.

O achado, que remonta à segunda metade do século I d.C, pode revelar aos pesquisadores como eram os costumes dos povos daquela região, situada no pé da cordilheira de White Carpathians — próxima as barreiras que marcavam a fronteira com o Império Romano.

Enterro de dignitário germânico de mais de 2.000 anos é descoberto na República Tcheca / Crédito: Divulgação

 

“Essa descoberta deve ser colocada em seu contexto histórico. A datação remonta ao período dos romanos, mas deve-se lembrar que, naquela época, os territórios tcheco e morávio, da atual República Tcheca, estavam em uma área chamada Barbaricum, muito além da fronteira do Império Romano”, explica Tomáš Chrástek, diretor do Departamento de Arqueologia e História do Museu da Morávia e um dos pesquisadores envolvidos na descoberta.

“É o enterro de um senhor local de origem germânica. Ele não é romano, como alguns pensavam, isso não significa automaticamente que havia uma presença romana naquele território. De fato, havia unidades do exército romano naquela região, mas foi muito mais tarde: durante as guerras marcomanas que ocorreram durante a segunda metade do século II”.

Pedaço do tecido da roupa usado pelo germânico / Crédito: Divulgação

 

Sobre as condições do enterro, o corpo foi velado em um caixão fechado de madeira. O falecido usava um traje formal completo, com esporas de bronzes no pé. O metal também estava presente em quatro grampos da camisa e em decorações bastante representativas do cinto. Na cintura, também foi encontrado um alfinete de osso e uma faca de bronze.

“isso é particularmente interessante porque, naquela época, é claro, armas e instrumentos eram feitos de ferro. Objetos de bronze foram usados ​​muito antes, na Idade do Bronze. Portanto, a presença da faca de bronze aqui significa outra coisa, sua função é bastante simbólica, especialmente porque nenhuma arma de ferro foi encontrada no enterro”, explicou Chrástek.

Grampo de bronze encontrado junto ao corpo / Crédito: Divulgação

 

Até agora, os arqueólogos conheciam cerca de dez localidades ao redor de Uherský Brod, ligadas a esse período — entre a segunda metade e a virada do século I d.C. —, o que levava os especialistas a acreditarem que a presença da população germânica na região era algo esporádico.

No entanto, a descoberta do alto dignitário permite supor que o local poderia suportar a existência de um verdadeiro centro de poder local, que exercia sua autoridade sobre uma rede de aldeias.