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Estudo aponta que tiranossauros podem não ter sido caçadores solitários

Uma pesquisa analisou novos fósseis e sugeriu que os dinossauros podem ter caçado em matilhas

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/04/2021, às 15h37

Fósseis de Teratophoneus curriei no Museu de História Natural de Utah
Fósseis de Teratophoneus curriei no Museu de História Natural de Utah - Wikimedia Commons/Jens Lallensack

Uma nova pesquisa publicada na revista científica PeerJ - Life & Environment investigou fósseis encontrados em 2014 no Monumento Nacional Grand Staircase–Escalante, localizado em Utah, nos EUA. As conclusões do estudo foram repercutidas pelo portal Smithsonian.

Foram encontrados restos de ao menos quatro ou cinco tiranossauros em apenas um local, o que intrigou os pesquisadores. Para os envolvidos na investigação, é possível que esses dinossauros tenham formado matilhas para caçar, contrariando a noção predominante de que eles eram solitários.

“Muitos pesquisadores acham que esses animais simplesmente não têm o poder do cérebro para se envolver em um comportamento tão complexo”, explicou o principal autor do estudo Alan Titus, paleontólogo do Bureau of Land Management. No entanto, a descoberta de 2014 pode mudar esse pensamento. “Isso deve estar refletindo algum tipo de comportamento e não apenas um evento estranho acontecendo repetidamente”, disse.

De acordo com comunicado do Escritório de Gestão de Terras (Bureau of Land Management) dos EUA, é a terceira vez que cientistas encontram fósseis de tiranossauros em massa. Neste caso, foram revelados restos de um adulto que tinha por volta de 22 anos, um subadulto e possivelmente dois ou três jovens.

Ainda que os fósseis tenham sido encontrados juntos, isso não provava que eles foram enterrados em conjunto, ou seja, que eles viveram na mesma época. Para resolver essa questão, os pesquisadores usaram uma “abordagem verdadeiramente multidisciplinar (evidências físicas e químicas) para juntar a história do local”, como disse Celina Suarez, da Universidade de Arkansas.

O resultado final da pesquisa foi a de “que os tiranossauros morreram juntos durante uma inundação sazonal”. “Nenhuma das evidências físicas sugeria conclusivamente que esses organismos foram fossilizados juntos, então recorremos à geoquímica para ver se isso poderia nos ajudar. A semelhança dos padrões dos elementos de terras raras é altamente sugestiva de que esses organismos morreram e foram fossilizados juntos”, completou.

Essa conclusão possibilitou que Philip Currie, paleontólogo da Universidade de Alberta e especialista em dinossauros, propusesse a tese de que tiranossauros eram mais sociáveis do que se imaginava. O fato de eles terem morrido juntos “se soma a um crescente corpo de evidências que os tiranossaurídeos eram capazes de interagir como matilhas gregárias”.