Notícias » Cinema

Franquia Matrix representa narrativa trans, confirma diretora

“Eu fico feliz que isso foi revelado, que essa era a intenção original. O mundo corporativo não estava pronto para isso”, revelou Lilly Wachowski

Isabela Barreiros Publicado em 05/08/2020, às 16h14

Cena do filme Matrix (1999)
Cena do filme Matrix (1999) - Divulgação/Warner

Enquanto se prepara para criar o quarto filme da franquia Matrix, 21 anos depois do lançamento do primeiro, Lilly Wachowski revelou que a narrativa criativa é uma alegoria para a vivência de uma pessoa trans. A afirmação foi feita em entrevista para o serviço de streaming Netflix.

Com Lilly e sua irmã Lana também na direção, o longa-metragem foi, e continua sendo, um enorme sucesso tanto de bilheteria quanto na cultura. Mas a real intenção por trás da icônica história havia aparecido apenas em teorias desenvolvidas por pesquisadores e fãs. Até agora.

“Eu fico feliz que isso foi revelado, que essa era a intenção original. O mundo não estava preparado, em um nível corporativo… O mundo corporativo não estava pronto para isso”, explicou a diretora à Netflix.

Lilly explicou que a própria Matriz, na verdade, "era toda sobre o desejo de transformação, mas era tudo de um ponto de vista fechado". Era, de fato, uma metáfora para a identidade trans em um mundo cisnormativo.

Hoje, as duas irmãs são trans e fazem parte do ativismo que luta por direitos LGBTs. Mas na época do primeiro Matrix ainda não era assim. "Não sei o quão presente minha transexualidade estava presente no fundo do meu cérebro enquanto o escrevíamos", explicou.

“Sempre vivíamos em um mundo de imaginação. É por isso que eu fui para ficção científica e fantasia e joguei Dungeons and Dragons. Era tudo sobre a criação de mundos. Isso nos libertou como cineastas porque conseguimos imaginar coisas na época que você não via necessariamente na tela”.