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Pesquisadores acreditam ter descoberto o verdadeiro motivo para o fim do Império Maia

Estudo mostra que império maia era muito mais violento que se imagina, e que práticas de destruição eram utilizadas no período mais prospero da civilização

Fabio Previdelli Publicado em 07/08/2019, às 07h00

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Crédito: Reprodução

Arqueólogos acreditavam que a civilização maia entrou em colapso devido ao aumento da seca e a uma grande mudança climática, o que acarretou uma Guerra Total. No entanto, um novo estudo publicado pela revista científica Nature Human Evolution, evidencia que a civilização maia era muito mais violenta do que se imaginava, e que esta prática – da Guerra Total – já era utilizada no período mais prospero daquele povo.

Evidencias encontradas por David Whal – professor adjunto de geografia da Universidade de Berkeley e pesquisador do Serviço Geológico dos Estados Unidos – em um antigo hieróglifo, revelam que houve uma campanha de incêndio contra uma cidade rival vizinha, em maio de 697 d.C, um ano depois do reino de Komkom ser devastado pelas chamas.

As gravações, encontradas em Naranjo, uma cidade maia a 32 quilômetros ao sul de Witzna – hoje pertencente ao norte da Guatemala – coincidem com uma camada distinta de carvão vegetal, de aproximadamente três centímetros, que foi encontrada no fundo da laguna Ek’Naab.

Laguna Ek'Naab (mancha branca), onde foi encontrado amostragem do estudo  / Crédito: Divulgação

 

A amostragem do carvão revela que a queima ocorreu entre os anos 690 e 700 d.C, durante o período Maia Clássico – que durou entre de 250 a 900 d.C – que era considerado o auge da civilização.

Essa descoberta contrapõe o que se pensava sobre os maias, de que eles só utilizavam da violência em rituais e de que as Guerras e ataques violentos só cresceram perto do declínio do império.

"Eu acho que, com base nessas evidências, a teoria de que uma suposta mudança para a guerra total foi um fator importante no colapso da sociedade maia clássica não é mais viável. Devemos procurar outras causas", diz o coautor Francisco Estrada-Belli da Universidade de Tulane, em Nova Orleans.