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Lula critica postura de Biden em relação a Cuba: “Estou frustrado”

Ex-presidente criticou a conduta do democrata, que disse ter mudado após as eleições: “Não é possível que o governo americano guarde tanto ódio no coração porque Cuba venceu a revolução”

Fabio Previdelli Publicado em 14/07/2021, às 07h00

O ex-presidente Lula
O ex-presidente Lula - Divulgação/YouTube/Rádio Bandeirantes

Na manhã da última terça-feira, 13, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Bandeirantes, no Jornal Gente, falando sobre a atual situação de Cuba, principalmente sobre o posicionamento de Joe Biden, presidente dos EUA, do qual diz ter lhe causado ‘frustração’. 

Eu sinceramente queria dizer que estou frustrado com o comportamento do Biden, porque fez um belo discurso voltado para o público interno, para se contrapor ao Trump e até elogiei, mas do ponto de vista da política externa o Trump tomou 240 medidas punitivas contra Cuba e o Biden não mudou nenhuma”, disse. 

O petista também questionou o motivo de tal conduta por parte dos norte-americanos: “Não é possível que o governo americano guarde tanto ódio no coração porque Cuba venceu a revolução”. 

Lula ainda disse que os problemas externos tem que serem resolvidos pelos próprios países, criticando quaisquer interferências e outras nações nesses processos.

Os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos. Os problemas da Venezuela serão resolvidos pela Venezuela e os problemas do Brasil serão resolvidos pelo Brasil. Não é necessária a interferência internacional”. 

Para o ex-presidente, esse, inclusive, é o principal fator responsável pela crise que a ilha vive há anos, que se agravou ainda mais por conta da pandemia de Covid-19 enfrentada pelo mundo. (A entrevista completa pode ser vista no vídeo abaixo.) 

“Há razões de ter protestos em Cuba? Há. Cuba é um país que está empobrecido por conta do bloqueio, que é muito sério — são 60 anos de bloqueio. Nessa questão da pandemia, é quase que uma coisa desumana se manter o bloqueio, porque quem morre são crianças, são velhos, são pessoas que não estão em guerra”, explica.