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Metanfetamina vicia até peixes, aponta estudo

Droga sintética é capaz de mudar o comportamento dos animais aquáticos. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 21/07/2021, às 12h05

Montagem com cena de Breaking Bad e foto do Salmo trutta
Montagem com cena de Breaking Bad e foto do Salmo trutta - Divulgação/AMC e Domínio Público

Como mostra pesquisa publicada na revista científica Journal of Experimental Biology, mesmo com o processo de tratamento de esgoto, traços de remédios e drogas usadas pelas pessoas, que são dispensadas pelo corpo através das necessidades fisiológicas, conseguem chegar até os rios e, consequentemente, afetam o comportamento dos animais que por lá vivem.  

De acordo com o estudo, que foi feito por pesquisadores de instituições da República Checa, os níveis de metanfetamina encontrada nos rios do país são suficientes para afetar a vida de espécies que dependem dessas águas.  

Para chegarem nessa conclusão, os pesquisadores fizeram testes em alguns peixes da espécie Salmo trutta, que é muito popular nos rios da Europa. Assim, por oito semanas, alguns deles foram divididos em dois tanques de água. 

No primeiro havia a concentração de 1 micrograma de metanfetamina por litro de água — quantidade próxima ao que foi identificado nos rios do país. No outro havia somente água-doce limpa. 

Depois desse período, os pesquisadores passaram para outra etapa, oferecendo aos peixes a possibilidade de optarem por qualquer um dos dois tanques. Com isso, constatou-se que os que passaram as oito semanas nas águas com a concentração da droga optaram por ficaram por lá, ao invés de irem para onde a água era limpa.  

Além disso, traços da droga sintética também foram encontrados no cérebro daqueles que estavam ‘viciados’. “Nossa pesquisa mostrou que existe a transmissão de problemas da sociedade humana para os ecossistemas aquáticos”, concluíram os pesquisadores do estudo.