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Nossos ancestrais testemunharam a explosão de um buraco negro na Via Láctea, aponta estudo

O evento destruidor, que fez surgir uma labareda fantasmagórica no céu, ocorreu há 3,5 milhões de anos

Vanessa Centamori Publicado em 05/06/2020, às 11h30

Imagem ilustrativa da Láctea na presença de nossos ancestrais
Imagem ilustrativa da Láctea na presença de nossos ancestrais - Divulgação/NASA

Atualmente vivemos em paz na Via Láctea, a mesma galáxia em que reside o buraco negro supermassivo Sagitário A *. Essa região do espaço-tempo silenciosa hoje não nos ameaça. Só que recentemente um estudo revelou que essa tranquilidade toda não foi sempre realidade: há 3,5 milhões de anos, nossos ancestrais viram esse objeto cósmico explodir de modo assustador no céu. 

Na época, nossos parentes australopithecus já andavam nas planícies africanas. Eles provavelmente viram o momento no qual uma enorme labareda com um brilho fantasmagórico tomou a visão deles. O flash de luz foi tão poderoso que era capaz de acender gás a 200 mil anos-luz de distância (considere que 1 ano-luz vale cerca de 9,5 trilhões de quilômetros). 

A grandiosa Nuvem de Magalhães / Crédito: Wikimedia Commons 

 

A descoberta foi publicada no The Astrophysical Journal. Segundo o estudo, o que ocasionou a explosão do buraco negro foi uma grande nuvem de hidrogênio, com 100 mil vezes a massa do Sol.

Essa nuvem astuta invadiu o disco que ficava ao redor do buraco. Como resultado, ele explodiu (assim como quando alguém faz cócegas e você espirra catarro). Com essa explosão, luz intensa e plasma foram liberados do centro da Via Láctea. E até hoje continuamos a ver os efeitos desse fenômeno. Seus resquícios nos ajudam a estudar o que ocorreu no passado. 

Na realidade pré-histórica, uma estrutura parecida com um halo tomou o céu noturno quando a explosão afetou as Nuvens de Magalhães (duas galáxias satélites anãs companheiras da Via Láctea, que são as únicas visíveis a olho nu).

Desse modo, durante até um milhão de anos nossos ancestrais puderam testemunhar esse acontecimento. Provavelmente, a explosão ficou visível em um ponto brilhante ao longo do arco da Via Láctea, na constelação de Sagitário. Era assim como uma tatuagem temporária, só que capaz de durar milênios e mais milênios no céu. 

"O flash foi tão poderoso que iluminou [ o céu] como uma árvore de Natal - foi um evento cataclísmico!", descreveu Andrew Fox, do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial Hubble, em comunicado. "Isso nos mostra que diferentes regiões da galáxia estão ligadas - o que acontece no centro galáctico faz diferença no que acontece na corrente de Magalhães. Estamos aprendendo como o buraco negro afeta a galáxia e seu ambiente".