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Notícias / Peste Negra

Origem da Peste Negra pode ter sido descoberta após mais de 600 anos

Estudo aponta onde pode ter nascido doença que dizimou milhões no século 14

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 16/06/2022, às 15h24

População usa máscaras para se proteger da peste negra - Domínio Público via Wikimedia Commons
População usa máscaras para se proteger da peste negra - Domínio Público via Wikimedia Commons

Entre 1347 e 1353, a Peste Bubônica — popularmente conhecida como Peste Negra, nome dado pelo fato da doença causar gangrena em certas partes do corpo —  dizimou cerca de 50 milhões de pessoas apenas na Europa. 

Uma das maiores pandemias da história humana, guarda um mistério desde meados do século 14, quando surgiu. Afinal, até hoje, nunca conseguiu-se explicar ao certo onde a enfermidade começou.

Entretanto, um estudo recente, publicado na revista científica Nature, pode ter colocado um ponto de partida em uma das maiores catástrofes sanitárias da Humanidade. Segundo pesquisadores da Universidade de Stirling, na Escócia, e do Instituto Max Planck e da Universidade de Tubingen, na Alemanha, a origem da Peste Bubônica se deu no Quirguistão, na Ásia central, na década de 1330.

O estudo

Para chegarem a essa conclusão, o grupo estudou amostras antigas de DNA presente em dentes de esqueletos enterrados em um cemitério nos arredores do Lago Issyk Kul. Conforme aponta a BBC, os pesquisadores escolheram o local ao identificarem um aumento substancial em sepultamentos por lá entre 1338 e 1339. 

Com isso, conforme aponta Maria Spyrou, pesquisadora da Universidade de Tubingen, a sequência do DNA de sete esqueletos foi analisada. Os resultados da análise em arcadas dentárias apontaram a presença da bactéria Yersinia pestis em três delas

Os dentes foram escolhidos por conterem diversos vasos sanguíneos e oferecem "uma grande chance de detectar patógenos transmitidos pelo sangue que podem ter causado a morte dos indivíduos". 

Nosso estudo resolve uma das maiores e mais fascinantes questões da história e determina quando e onde o assassino mais notório e infame dos seres humanos começou", apontou o historiador da Universidade de Stirling Philip Slavin.

Limitações

Apesar dos resultados significativos, a pesquisa possui algumas limitações, conforme aponta Michael Knapp, da Universidade de Otago (Nova Zelândia), que não teve envolvimento no processo. 

Knapp elogiou o trabalho, mas ressaltou: "Dados de bem mais indivíduos, épocas e regiões... ajudariam realmente a esclarecer o que os dados apresentados aqui significam de fato."