Busca
Facebook Aventuras na HistóriaTwitter Aventuras na HistóriaInstagram Aventuras na HistóriaYoutube Aventuras na HistóriaTiktok Aventuras na HistóriaSpotify Aventuras na História
Notícias / Brasil

Pernambuco: 35 cidades não registram nascimentos em um ano, segundo estudo

Entenda a dificuldade enfrentada por mais da metade das grávidas do estado, que levou a queda brusca da natalidade em 2021

Redação Publicado em 12/12/2023, às 17h28

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
Imagem ilustrativa dos pés de um bebê - Imagem de Marjon Besteman por Pixabay
Imagem ilustrativa dos pés de um bebê - Imagem de Marjon Besteman por Pixabay

Um novo levantamento realizado pelo Tesouro Nacional, a pedido do G1, revelou um dado preocupante. Em 35 municípios de Pernambuco e do Arquipélago de Fernando de Noronha, não houve nenhum nascimento em um ano. A queda na taxa de natalidade reflete a dificuldade no acesso a atendimentos obstétricos e ginecológicos, inexistente nestes locais.

O estudo, que analisou 50% de todas as consultas realizadas pelo Sistema Único em Saúde (SUS) no estado em 2021, acompanhou os locais e o modo como os recursos públicos são utilizados, conforme repercutido pelo G1. 

A inexistência de maternidades e casas de parto forçou as gestantes pernambucanas a se deslocarem por centenas de quilômetros para obter acesso a procedimentos do pré-natal e também para parir. Assim, no período analisado, mais da metade das mulheres de Pernambuco deram à luz em uma cidade que não é a mesma onde residem.

Longa jornada

Uma das gestantes é a agricultura Érica Paloma, de 28 anos, que mora na área rural de Ingazeira. Ela precisou buscar atendimento médico em outro município para a realização do pré-natal e para o parto de sua filha Eliza, que veio ao mundo no início de novembro. 

Por apresentar um risco de trombose, Érica teve que viajar até a capital várias vezes nos meses de sua gestação, para obter acompanhamento com um hematologista no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip). Esta rotina era marcada por viagens de até 6h30 de duração. 

Era sempre à noite, para chegar no Recife de manhã, para as consultas; e o retorno era no mesmo dia. Foi muito cansativo. Principalmente no final do pré-natal, foi bem incômodo para mim. Quando foi chegando perto do parto, a médica liberou para que eu tivesse minha filha aqui, em Afogados da Ingazeira (a 20 minutos de distância). Foi melhor, porque o meu marido pode acompanhar", contou Érica ao G1.

Explicação

Os dados obtidos pelo Tesouro Nacional também apontaram que, dos 52.835 atendimentos obstétricos de mulheres residentes em Pernambuco, ao menos 16.179, cerca de 50%, precisaram ser deslocadas de seus municípios para dar à luz.

A Secretária de Saúde de Ingazeira, Fabiana Torres, explicou o que levou o município localizado no Sertão de Pernambuco a aparecer na lista de locais sem nenhuma natalidade em 2021. 

Para realizar partos, o HPP (Hospital de Pequeno Porte) do município teria que ter uma equipe médica completa de plantão, com todos os profissionais. Mas a cidade recebe por mês, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para a Saúde, um valor que varia entre R$ 9.450 e R$ 9.600. Apesar de a gente ser bem referenciado no atendimento pré-natal, oferecendo todos os exames às gestantes, transporte para os casos de alto risco, medicação, taxa zero de mortalidade e também em relação ao pré-natal do parceiro, o município não tem condições de manter uma equipe completa de plantão para a realização dos partos”, explicou Torres ao G1.

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!