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Por que nos comovemos tanto com a partida de um artista?

Segundo a psicóloga Maria Rafart, existe um fenômeno que explica a comoção em massa causada pela morte de um famoso

Redação Publicado em 08/11/2021, às 22h00

Fotografia da cantora sertaneja Marília Mendonça
Fotografia da cantora sertaneja Marília Mendonça - Divulgação/ Instagram/ @mariliamendoncacantora

Na última sexta-feira, 5, a precoce morte da cantora sertaneja Marília Mendonça estremeceu o Brasil. A tragédia, causada pela queda de um avião que também ceifou a vida de outras quatro pessoas, não deixou apenas os fãs da artista desolados, como também mobilizou aqueles que apenas ouviam suas músicas de vez em quando.

De repente, centenas de milhares de brasileiros sentiram o baque da morte da sertaneja como se ela fosse uma integrante de suas próprias famílias. Segundo a psicóloga Maria Rafart, existe um fenômeno na neurociência que explica esse sentimento.

Chamado de Neurônios-espelho, tal fenômeno é o responsável por impactar diretamente o emocional das pessoas quando elas estão diante de um episódio que acontece com seus ídolos. Seja esse acontecimento bom ou ruim.

Nesse sentido, a especialista explica que “a profunda identificação dos fãs com seus ídolos se dá não somente em razão das qualidades que eles possuem, e que os fãs admiram ou desejariam ter — é uma relação ainda mais profunda”.

“Os seres humanos são tão acostumados a se identificar uns com os outros pelos neurônios-espelho, que qualquer um de nós sabe, por exemplo, se uma pessoa desconhecida na rua está triste ou não”, narrou Maria Rafart. “Da mesma forma, se vemos alguém nas redes sociais fazer o unboxing de um produto, podemos desejar fazer a mesma coisa, tal a identificação que é desencadeada.”

Imagem meramente ilustrativa de celular / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ kevberon

 

É exatamente esse o fenômeno usado pelos profissionais do marketing, chamados de “magos do neuromarketing” pela especialista. “Eles se utilizam muito dessas técnicas ao contratar os próprios famosos para mostrar produtos que os fãs compram quase que instantaneamente”, explicou Maria Rafart.

Dessa forma, a psicóloga pontua a importância e o impacto da internet na aplicação desse fenômeno. “Com a grande força das redes sociais, os fãs se tornam íntimos de seus ídolos — conhecem, além da sua carreira, sua família, sua casa, sua rotina — e dessa forma, sentem-se mais íntimos deles”, narrou a especialista. 

Através da identificação inicial, os fãs são levados à empatia — e aí entram em ação os neurônios-espelho. O grande impacto emocional chega a causar nos fãs descargas de dopamina — isso torna mais aguda a identificação, e até a imitação”, continuou.

É por isso que, ao assistir um ídolo se comunicando nas redes sociais, os fãs criam uma relação muito mais próxima com o artista ou criador de conteúdo. No final, “além da dimensão do entretenimento, a dimensão pessoal pesa muito na identificação de um fã com seu ídolo”, segundo explicou a psicóloga.

“O fã passa a sentir, a experimentar, tudo o que acontece com seu ídolo. Fica feliz com o nascimento de um filho, como se fosse um parente seu. E chora a sua morte, como se ele fosse um parente muito próximo”, finalizou Maria Rafart. “Daí a grande comoção causada pela morte de um ídolo: é como se fosse alguém da família que tivesse partido."