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Primeira múmia egípcia de uma gestante é identificada por pesquisadores

O corpo mumificado possui por volta de 2 mil anos e foi encontrado na antiga cidade de Tebas

Isabela Barreiros, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 29/04/2021, às 17h25 - Atualizado em 30/04/2021, às 09h32

A primeira múmia egípcia grávida já identificada
A primeira múmia egípcia grávida já identificada - Divulgação/Academia de Ciências da Polônia

Em 1800, equipes de arqueólogos europeus estavam sendo enviadas para o Egito com o intuito de encontrar artefatos valiosos da civilização. Muitos deles descobriram: em 1826, uma múmia foi levada para Varsóvia, na Polônia. 

Desde então, ela permaneceu em exposição no Museu Nacional de Varsóvia. No entanto, pesquisadores só analisaram a descoberta recentemente, em um estudo inovador que foi publicado na última quarta-feira, 28, na revista científica Journal of Archaeological Science

Segundo o autor principal da pesquisa, Wojciech Ejsmond, da Academia de Ciências da Polônia, trata-se da “primeira descoberta de um corpo embalsamado de grávida”. Ele afirmou que “não há outro corpo antigo tão bem preservado de uma mulher grávida”.

Análise realizada na múmia / Crédito: Divulgação/Academia de Ciências da Polônia

 

A múmia foi descoberta em túmulos reais localizados na antiga cidade de Tebas, no Egito, o que sugere que a mulher provavelmente fazia parte da elite da sociedade da época. Além disso, os egiptólogos dataram a descoberta como pertencente ao século 1 a.C., dando-a mais de 2 mil anos de idade.

O corpo mumificado foi escaneado pelos especialistas como parte do Projeto Múmia de Varsóvia, estudado a partir de tomografias computadorizadas e raios-X que revelaram os restos mortais de um feto dentro do corpo da egípcia. Acredita-se que ele tenha entre 26 e 30 semanas de vida.

Abdômen da múmia com feto / Crédito: Divulgação/Academia de Ciências da Polônia

 

A grávida, que morreu aos seus 20 anos de idade, foi enrolada em tecidos de alta qualidade, o que colaborou para a teoria de que ela fazia parte da nobreza. Além disso, ao lado do corpo, também estavam amuletos, que podem ter sido colocados para ajudá-la na vida após a morte, conforme a crença egípcia.

“Para os egiptólogos, esta é uma descoberta fascinante porque sabemos pouco sobre a saúde perinatal e a infância no antigo Egito. Os médicos podem estudar, por exemplo, o conteúdo intestinal do feto para reunir informações sobre o desenvolvimento do sistema imunológico nos tempos antigos”, explicou Wojciech Ejsmond, como relatou o Daily Mail.

Religião no Egito Antigo

Análise do abdômen da múmia / Crédito: Divulgação/Academia de Ciências da Polônia

 

Para os pesquisadores, “este espécime lança uma luz sobre um aspecto não pesquisado dos antigos costumes funerários egípcios e interpretações da gravidez no contexto da antiga religião egípcia."

No Egito Antigo, a crença da vida após a morte era muito forte e, geralmente, o feto seria mumificado separado de sua mãe, também embalsamada. A teoria dos especialistas é que, por o feto ser muito novo e ainda não ter nome, ele não poderia fazer a jornada pós-morte sozinho, sendo mantido com a mãe. 

“Pode ter sido pensado que ainda era uma parte integrante do corpo de sua mãe, uma vez que ainda não havia nascido”, afirmaram os pesquisadores.

“Esta múmia abre uma nova possibilidade para estudar a gravidez nos tempos antigos, o desenvolvimento dos fetos e os processos tafonômicos dos fetos, assim como dos úteros. O fato de apenas exames não invasivos desta múmia terem sido realizados até agora significa que ela está intacta e pode ser objeto de futuras investigações multidisciplinares”, concluíram.