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Primeiro homem tuberculoso na Grã-Bretanha pode ter levado doença para a região, indica estudo

Após novas análises, cientistas especularam que primeiro homem a ter tuberculose na Grã-Bretanha não havia nascido ali, de forma que poderia ter sido infectado fora da região

Ingredi Brunato Publicado em 09/11/2020, às 17h00

Fotografia do esqueleto do homem da Idade do Ferro
Fotografia do esqueleto do homem da Idade do Ferro - Divulgação/ South West Museum Development

Estudos recentes do esqueleto daquele que ficou conhecido como o Homem de Torrent Hinton, o primeiro cidadão conhecido da Grã Bretanha a sofrer com tuberculose,  descobriram que ele também poderia ter sido quem trouxe a doença para a região, tendo contraído de outra pessoa, e não através de comida contaminada. As informações foram divulgadas pelo Daily Mail, veículo britânico. 

Os restos mortais do Homem de Torrent Hinton, que viveu durante a Idade do Ferro, foram descobertos no condado de Dorset, na Inglaterra, em escavações que tiveram início em 1967 e duraram mais dezoito anos até se completarem. Desde então, ele foi exposto no South West Museum Development, museu que também financiou os cientistas da pesquisa. 

A análise dos dentes do homem permitiu determinar sua terra natal como rica em calcário carbonífero, o que ocorre na Irlanda, França e Espanha. São apenas seus sisos, que cresceram entre os 8 e 14 anos de idade, que indicam um ambiente compatível com a Inglaterra, revelando assim que o Homem de Torrent Hinton teria sido um estrangeiro, viajando para a Grã-Bretanha em algum ponto da sua infância. 

Fotografia da sala onde o esqueleto está exposto - Crédito: Divulgação/ South West Museum Development

 

Dr. Simon Mays, biólogo especializado em esqueletos da Inglaterra histórica, e esteve envolvido na pesquisa, admite que embora tenha se levantado a hipótese do europeu ter contraído tuberculose fora da Inglaterra, e então considerado o primeiro a disseminar a doença no país britânico, essa não é uma certeza: “Também pode ser que a tuberculose já estivesse bem estabelecida aqui na Idade do Ferro - ela não aparece com frequência nos ossos e não temos muitos esqueletos desse período."  

Outra curiosidade interessante a respeito do esqueleto é que, devido à gravidade dos impactos causados pela doença, o fato de pertencer a um homem que morreu aos 30 anos de idade mostra como a comunidade teria cuidado dele, garantindo sua sobrevivência por um tempo muito maior do que ele teria conseguido sozinho.