Recriada a face do Homem de Jericó

Ele viveu há 9500 anos e teve sua cabeça cortada e coberta por gesso - em sinal de respeito

Redação AH Publicado em 13/12/2016, às 16h53 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

O homem de Jericó, que teve sua cabeça cortada e preservada há 9500 anos
O homem de Jericó, que teve sua cabeça cortada e preservada há 9500 anos - Trustees of the British Museum
Ele viveu há 9500 anos em Jericó, uma das cidades mais antigas do mundo. E tudo o que restou foi um bizarro objeto: sua própria cabeça, coberta por gesso, pintada por cima e com conchinhas colocadas em seus olhos, para fazê-los parecer vivos. 

A caveira original, coberta por gesso | Trustees of the Brisith Museum
O "Homem de Jericó" foi um dos primeiros humanos a experimentar o modo de vida agrícola e sedentário, deixando para trás a caça e coleta do Paleolítico.  E também um dos primeiros exemplos de rituais funerários complexos. Uma equipe do British Museum acaba de fazer uma reconstrução facial dele, baseada em tomografias. Eles pretendiam adicionar detalhes da cor dos cabelos e olhos, mas temeram que a coleta de seu DNA pudesse danificar a camada de gesso. A versão digital foi então recriada fisicamente. 
Segundo os arqueólogos, ele provavelmente tinha um alto status entre seus pares. Seu crânio mostra uma deformação artificial, produzida por tiras amarradas na cabeça na infância - o que era um sinal de nobreza em várias sociedades. Geralmente, isso é feito por alongamento, mas, neste caso, sua cabeça foi tornada mais redonda, com o topo e a parte de trás mais largos. Também há a questão de sua idade: "Ele certamente era um indivíduo maduro quando morreu, mas não sabemos dizer exatamente por que sua cabeça, ou as das outras encontradas junto com eles, foram escolhidas para serem preservadas com gesso", afirma Alexandra Fletcher, curadora do Oriente Próximo Antigo no Museu Britânico. "Pode ser algo que esses indivíduos alcançaram em vida que levou-os a serem relembrados após a morte." O busto recriado será exposto no museu.