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'Sol artificial': Reator chinês atinge 160 milhões de graus Celsius

Maior índice já registrado pelos pesquisadores do país, a nova marca é mais de dez vezes superior à temperatura do Sol

Pamela Malva Publicado em 03/06/2021, às 16h00

Imagem real da superfície do Sol
Imagem real da superfície do Sol - Divulgação/ Paul Andrew

Desde que foi instalado no Instituto Hefei de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim, o reator de fusão nuclear chinês EAST já atingiu enormes temperaturas. Também conhecido como ‘sol artificial’, contudo, o experimento bateu novos recordes na última sexta-feira, 28, de acordo com o UOL.

Inicialmente, a maior temperatura registrada pelo reator foi de 100 milhões de graus Celsius, mantidos por 100 segundos. Agora, contudo, o Tokamak Experimental Supercondutor Avançado chegou aos 120 milhões de graus Celsius por 101 segundos.

No mesmo dia, o equipamento ainda atingiu a marca de 160 milhões de graus Celsius, mas por apenas 20 segundos. Esse segundo recorde representa, segundo os cientistas, mais de dez vezes a temperatura do Sol, que é de cerca de 15 milhões de graus Celsius.

Agora, de acordo com o diretor Li Miao, do departamento de física da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, o próximo desafio da equipe responsável é estabilizar a temperatura do reator. Com isso, espera-se que, em um futuro próximo, o equipamento se torne uma nova fonte de energia sustentável e ilimitada.

Projetado exatamente para atingir enormes temperaturas, o reator EAST reproduz a fusão nucrear que acontece no Sol e, por isso, foi apelidado de ‘sol artificial’. O problema é que, segundo Lin Boqiang, ele só poderá ser implementado dentro de 30 anos.

Diretor do Centro Chinês para Pesquisa em Economia de Energia da Universidade de Xiamen, o especialista afirmou que, apesar dos avanços tecológicos dos últimos anos, a viabilidade comercial do reator ainda está um pouco longe de nós.

Ainda assim, de acordo com Boqiang, essa seria a alternativa de energia mais limpa e confiável que a humanidade tem em mãos e faz parte do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER), o maior projeto de pesquisa de fusão nuclear do mundo. “É mais como uma tecnologia do futuro que é crítica para o impulso de desenvolvimento verde da China", narrou Lin Boqiang, em entrevista ao Global Times.