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Ursos polares têm que viajar 64% mais para comer, aponta estudo

Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, os animais enfrentam dificuldades para encontrar alimentos no Ártico

Pamela Malva Publicado em 15/12/2021, às 20h00

Imagem meramente ilustrativa de urso polar
Imagem meramente ilustrativa de urso polar - Divulgação/ Pixabay/ mtanenbaum

Publicado pelo periódico Ecosphere, um estudo recente trouxe dados alarmantes sobre o derretimento do gelo no Alasca. Segundo a pesquisa, divulgada pela revista Galileu, os ursos polares agora têm de se deslocar muito mais para procurar alimento.

De maneira preocupante, os estudiosos verificaram que os animais precisam ocupar uma área 64% maior para encontrar o que comer. Tal índice de comparação foi obtido a partir de dados coletados entre o período de 1999 a 2016 e o intervalo de 1986 a 1998.

Nesse sentido, a equipe do Serviço Geológico dos Estados Unidos observou imagens de satélite que acompanharam os padrões de movimento dos ursos polares fêmeas nas regiões do Mar de Beaufort, que é uma parcela do Oceano Ártico ao norte do Alasca.

Segundo os pesquisadores, os registros revelaram que, devido ao derretimento das geleiras, os ursos polares estão cada vez mais se deslocando para o norte. E esse movimento, para os cientistas, é bastante inquietante.

Ter que viajar mais longe significa que esses ursos estão gastando mais energia que pode ameaçar sua sobrevivência", explicou Anthony Pagano, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade Estadual de Washington, em comunicado oficial.

Outro dado preocupante trazido pela pesquisa mostra que, com a falta de alimentos, cerca de 20% dos ursos polares no Mar de Beaufort estão se aproximando do interior da região. Diante da fome, eles partem em busca de carniça e frutos.

"À medida que mais ursos se movem em terra, suspeito que haverá muito mais competição por esses recursos alimentares e provavelmente começaremos a ver mais reduções em abundância e sobrevivência", lamentou Pagano.

Agora, os pesquisadores pretendem analisar com mais cuidado a interação entre os ursos polares e seu novo habitat terrestre. Ainda assim, não deixam de pontuar que a espécie só poderá ser preservada caso a humanidade contenha as emissões de carbono — já que o componente é a principal causa do derretimento do gelo no Ártico.