Estatueta do Paleolítico gera comparações com Kim Kardashian

'Vênus' de 23 mil anos atrás era avantajada em certa parte

segunda 23 outubro, 2017
Partindo corações desde 21 mil a.C.
Partindo corações desde 21 mil a.C. Foto:cliparting.com

Uma estatueta do Paleolítico Superior, datada por radiocarbono entre 21 mil e 24 mil anos atrás, foi encontrada num sítio arqueológico da região de Bryansk, Rússia, a cerca de 400 km ao sul de Moscou. Feita em presa de mamute, tem meros 5 centímetros de comprimento. Minúscula, como é possível ver aqui, na mão do arqueólogo que a encontrou, Dr, Konstantin Gavrilov, do Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa de Ciências:

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O arqueólogo acredita que a pequena figura uma tivesse função ritual. A ideia mais óbvia seria que representasse uma deusa da fertilidade, como outras "Vênus" do paleolítico foram tradicionalmente interpretadas. Gavrilov discorda: segundo ele, é antiga demais para isso: predando a agricultura em mais de 10 mil anos, pertence a uma época em que a fertilidade ainda era mal-compreendida pelos humanos. Hoje em dia, autores propõem interpretações alternativas para essas imagens, como que talvez fossem autorretratos das próprias escultoras, ou quem sabe símbolos para a vida em geral.

O que isso tem a ver com Kim Kardashian? Talvez fique mais claro vendo o outro lado da pequena escultura, em zoom:



Aqui, frente e verso:

Gavrilov notou o quanto a imagem é incomum, mesmo diante de tantas outras figuras rechonchudas do Paleolítico. "Essa escultura retrata uma mulher bastante corpulenta, mas fantasticamente delicada diante de suas pernas longas e finas". Ele comparou a imagem com o quadro Dânae, de Rembrandt, retratando uma das amantes de Zeus, a mãe do guerreiro Perseu, o matador de Medusa. 

Já os tabloides britânicos fizeram uma comparação bem menos erudita. Segundo eles, a imagem está mais para outra figura moderna...

A brincadeira pode ser de gosto duvidoso, mas não foi criada pelos tabloides. Por incrível que pareça, já havia sido usada antes por nada menos que o Metropolitan Museum of Art, de Nova York. Quem somos nós para contestar tal autoridade?*


Fotos: Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa, Wikimedia Commons, Reprodução
*A analogia é espúria. Obviamente, a estátua está muito mais para a Mulher Melancia.
Fábio Marton | Reportagem Thiago Lincolins


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