Matérias » Personagem

24 dias sem comida ou água: Conheça a saga de Mitsutaka Uchikosh

O caso ocorrido em 2006 deixou médicos perplexos: como aquele homem havia sobrevivido?

Ingredi Brunato Publicado em 02/12/2020, às 09h08

Fotografia de Mitsutaka Uchikosh
Fotografia de Mitsutaka Uchikosh - Divulgação/ Youtube

Em 2006, um homem japonês surpreendeu a comunidade médica internacional por ter passado 24 dias sem comida nem bebida desmaiado em um monte japonês em que as temperaturas alcançavam dez graus durante a noite. 

Durante o episódio, revelado pelo The Guardian em 2006, tudo aconteceu após o homem, que se chamava Mitsutaka Uchikoshi e estava fazendo caminhada no local, sofrer um acidente que desencadeou nele um aparente “estado de hibernação”. 

Embora tenha saído dessa experiência com a falência de diversos órgãos, é impressionante que tenha ficado vivo por tanto tempo - além disso, conseguiu alcançar uma recuperação completa no hospital

O acidente 

Em 7 de outubro de 2006, Mitsutaka estava tendo um ótimo dia. Ele havia participado de um churrasco com os amigos, e depois eles tinham subido juntos o Monte Rokko, no oeste do Japão. 

Na volta dessa caminhada, todavia, o homem tomou uma decisão que, embora parecesse inofensiva, acabou quase custando sua vida: em vez de pegar o teleférico, decidiu fazer a descida a pé. 

Fotografia do Monte Rokko da perspectiva do teleférico / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sua jornada solitária em direção ao pé do monte tomou um rumo trágico quando Uchikoshi primeiro se perdeu do caminho, e depois escorregou em um riacho, quebrando sua pélvis.

Após horas caído, o homem japonês acabou perdendo a consciência, e foi encontrado mais de três semanas depois. 

"No segundo dia [após o acidente], o sol estava alto, eu estava em um campo e me senti muito confortável. Essa é minha última memória. Devo ter adormecido depois disso.", relatou Mitsutaka logo antes de receber alta do hospital onde foi internado, segundo divulgado pelo The Guardian em 2006. 

Quando ele foi encontrado 

Um alpinista fazia a descida do Monte Rokko quando encontrou o corpo de Uchikoshi, então com uma temperatura corporal de apenas 22°C - quatorze graus mais frio do que o que é considerado normal -  e um pulso muito fraco.

Fotografia meramente ilustrativa de um alpinista / Crédito: Divulgação/ Pixabay 

 

Conforme divulgado também pela BBC em 2006, nesse ponto, ele havia tido uma perda de sangue grande, e sofria ainda de falência múltipla dos órgãos. Apesar de tudo, estava vivo, e após receber tratamento no hospital mais próximo, os médicos declararam que Mitsutaka havia tido uma recuperação completa. 

Mistério 

A história de Uchikoshi é inédita no campo médico. Em entrevista também ao The Guardian, o chefe da unidade de emergência, Shinichi Sato, ofereceu uma explicação para o acontecido: "Ele entrou em um estado semelhante à hibernação e muitos de seus órgãos ficaram mais lentos, mas seu cérebro estava protegido".

O professor Hirohito Shiom, que foi entrevistado pela Associated Press, também comentou sobre o episódio: "Os pesquisadores teriam que esclarecer se a temperatura corporal de Uchikoshi caiu muito rapidamente, ou se ele começou a perder calor corporal muito mais tarde e estava de fato morrendo quando o encontraram". 

"Este caso é revolucionário se o paciente realmente sobreviveu com uma temperatura corporal tão baixa por um período de tempo tão longo", concluiu ainda o especialista. 

Situações semelhantes 

Durante certas cirurgias, os médicos podem baixar a temperatura corporal do paciente para até 20°C, todavia trata-se de uma situação de exceção, que além de controlada dura apenas por algumas horas - e não dias, como parece ter sido o caso do homem japonês. 

Ainda ocorre a discussão de que a hibernação humana é possível na teoria. Um indício que contribui para essa conclusão é a descoberta ocorrida em 2004 de que os lêmures de Madagascar hibernam durante meses todos os anos, o que constitui o primeiro caso registrado de primatas praticando hibernação.


++Saiba mais sobre a medicina por meio de grandes obras disponíveis na Amazon Brasil:

Medicina Macabra, de Morris Thomas (2020) - https://amzn.to/2RzES5S

Medicina Dos Horrores, de Lindsey Fitzharris (2019) - https://amzn.to/2uEVDDw

Cambridge - História da Medicina, de Roy Porter (2008) - https://amzn.to/38ZeyHN

Doenças que mudaram a história, de Guido Carlos Levi (2018) - https://amzn.to/33woA1R

A grande mortandade, de John Kelly (2011) - https://amzn.to/2vsqnZa

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W