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Há 523 anos, era executado Girolamo Savonarola, o Frei que tentou acabar com a Renascença

Ele queimou inúmeros objetos artísticos e culturais da época, e no fim ele próprio acabou sendo condenado pela Igreja Católica

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 23/05/2021, às 00h00

Savonarola, por Moretto da Brescia, 1524
Savonarola, por Moretto da Brescia, 1524 - Wikimedia Commons

O ano era 1452 quando um jovem nobre e intelectual fazendo uma viagem à região de Faença, uma comuna na Itália, acabou ouvindo sermão de Penitência e decidiu que tinha encontrado sua vocação. 

Era Girolamo Savonarola, então com apenas 22 anos. Após sentir que havia recebido o chamado divino, ele não perdeu tempo, e acabou se juntando à Ordem Dominicana de Bolonha sem nem mesmo avisar seus pais primeiro.

Por volta de sete anos mais tarde, o então Frei seria enviado à Florença, onde passou a dedicar-se de maneira fervorosa ao combate de tudo aquilo que considerava imoral e não-condizente com a fé católica, atraindo no processo milhares de seguidores e queimando inúmeros objetos que para ele simbolizavam o pecado da vaidade, como roupas finas, espelhos, cosméticos, instrumentos musicais e obras de arte. 

1. Inimigo número 1 da Renascença 

Para Savonarola, o movimento renascentista  —  cujo berço era justamente a cidade de Florença, onde ele pregava  —  era repleto de manifestações de frouxidão moral. Assim, o Frei passou a falar contra aquilo que definia como vida pagã, que envolvia festas, álcool e outros luxos.

Um bom exemplo de tudo aquilo que o religioso condenava era a corte de Lorenzo de Médici, o Magnífico, que controlava Florença no período. De acordo com uma matéria da IstoÉ de 2016, porém, o nobre já estava no fim de sua vida, e não teve energia ou coragem para retrucar as críticas vorazes de Girolamo

2. Líder de Florença 

Girolamo Savonarola, por Fra Bartolommeo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Porém, os Médici caíram, e Savonarola tornou-se a liderança mais influente do local. Ele usou seu poder recém-adquirido para fazer uma série de proibições: ninguém podia mais jogar, beber ou festejar. 

Nas fogueiras das vaidades, conduzia a destruição pública de espelhos, acessórios de moda, cosméticos e qualquer objeto que fosse considerado “causador de pecado”, incluindo livros — como Bocaccio e Dante.

3. Desobediência ao papa 

Girolamo estava disposto a passar por cima de quem fosse para atingir seus objetivos - inclusive do próprio papa do período, Alexandre VI. O líder da Igreja Católica, que não aprovava as condutas do Frei, fez tudo em seu poder para pará-lo: emitiu censuras, e, quando essas não foram obedecidas, proibiu que o outro continuasse a pregar. 

Mais uma vez, porém, Savonarola continuou se dedicando à defesa das práticas que ele acreditava ser a única via para o salvamento das almas.

4. Morto pela Igreja Católica   

A execução de Savonarola e seus seguidores / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1497, o mosteiro de Savonarola foi atacado pelos florentinos, com o religioso e seus aliados dominicanos sendo aprisionados. Segundo o Opera Mundi, um ano depois o Frei foi excomungado e acusado de heresia pelo Papa, o que levou à sua execução por enforcamento.

Depois, em 23 de maio de 1498, seu cadáver foi queimado em uma fogueira na Piazza della Signoria, sendo consumido pelas mesmas chamas a que Girolamo havia condenado tantos itens culturais e artísticos da Renascença.