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Eliécer Gaitán, 72 anos do assassinato que gerou uma das maiores revoltas populares da Colômbia

Neste dia, em 1948, a morte do candidato a presidente da Colômbia desencadeou um dos mais relevantes conflitos do país

André Nogueira Publicado em 09/04/2020, às 08h00

Ruas de Bogotá durante a revolta
Ruas de Bogotá durante a revolta - Wikimedia Commons

El Bogotazzo foi um dos eventos mais violentos e generalizados ocorridos em Bogotá. Até hoje, os colombianos lembram-se dos grandes eventos causados pela generalização da revolta contra o assassinato de Eliecer Gaitán e das imagens de frenesi e pirotecnia nas ruas da cidade, a ponto de o período que prosseguiu a revolta ser conhecido como La Violencia, que durou 10 anos.

Jorge Eliécer Gaitán era o principal nome do Partido Liberal Colombiano e uma das principais figuras políticas de sua época, junto com o presidente do país, Mariano Ospina Pérez, do Partido Conservador. O partido de Gaitán crescia cada vez mais, a ponto do candidato vencer as eleições presidenciais. 

Jorge Eliécer Gaitán / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, 9 de abril de 1948 foi um dia bastante agitado em Bogotá. Ao mesmo tempo em que o presidente Ospina estava numa conferência com o secretário de estado dos EUA, o famoso caçador de comunistas George Mashall, ocorria, na periferia da cidade, a 9ª Conferência Internacional dos Países Americanos, que discutia um plano de união dos países e a criação da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Como ocorreria a conferência, os militantes cubanos Fidel Castro e Rafael del Pino estavam na Colômbia e haviam marcado uma reunião com Gaitán para discutir a participação do político como orador do Congresso Latino-Americano de Juventude. Gaitán, mesmo não sendo um comunista, pretendia gerar uma maior aproximação com a esquerda latino-americana e fomentar o apego a um liberalismo social na sociedade colombiana.

Porém, na noite anterior, o político havia trabalhado na elaboração de documentos para a defesa de um tenente do exército colombiano. Como resultado, ele passara a noite em seu escritório, na periferia da capital. Ao sair do seu local de trabalho para se encontrar com Fidel, Gaitán foi surpreendido com um homem armado que o baleou duas vezes na cabeça e uma no peito. Ele foi socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu. 

Quando a informação foi levada para a sociedade, o clima que tomou conta de Bogotá foi o de revolta e não aceitação nas ruas. A notícia foi divulgada pela rádio Estação Últimas Notícias, montado por apoiadores de Gaitán, que acusava o Partido Conservador e o governo como responsáveis pela conspiração contra o candidato.

O programa de rádio convocou os partidários do político para que tomassem as ruas da capital até que  a situação fosse elucidada. Incitando o uso de violência contra o aparato público e a polícia, o evento foi chamado de El Bogotazzo. No mesmo programa, os radialistas ensinaram como montar coquetéis molotov - a arma química foi usada em peso durante a revolta.

Gaitán morto no hospital / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Darío Enchandía, substituto de Gaitán na presidência do PL, tentou conter a revolta, mas não conseguiu. Os insurgentes marcharam à casa do Presidente da República, onde foram massacrados pelo Exército. O uso dos coquetéis molotov generalizou incêndios em carros e imóveis, devastando a periferia da capital. Uma onda de pilhagens esvaziou os estoques das lojas e muitos produtos foram revendidos.

A eletricidade foi cortada e, quando o Exército conseguiu esvaziar os órgãos públicos, deixaram o esforço de repressão, permitindo o confronto direto entre os dois polos políticos colombianos (PC e PL), causando a morte de milhares de pessoas nas ruas de Bogotá. Este período de guerra civil ficou conhecido como os 10 anos de Violencia.

Trágico. Mais de 200.000 pessoas morreram durante os confrontos desencadeados pela morte de Gaitán. A cidade de Bogotá e o distrito de Cundinamarca foram completamente devastados, levando à fragilidade política e econômica da região por muitos anos.

Além disso, a população bogotona ficou traumatizada e o sistema democrático do país foi desestabilizado. Os conflitos resultaram na ascensão de outro conservador, Laureano Gomez Castro, como presidente da república em uma eleição bastante conturbada e suspeita no início da década de 1950.


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