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76 dias à deriva: a impressionante saga de Steven Callahan em alto mar

Em um pequeno bote, o experiente navegador passou por extremas dificuldades até ser milagrosamente resgatado

Caio Tortamano Publicado em 16/02/2020, às 08h00

Steven Callahan mostrando como sobrevivia em alto mar
Steven Callahan mostrando como sobrevivia em alto mar - Divulgação

Steven Callahan era aficionado por arquitetura naval e navegação, adquirindo muita experiência na prática. O amante de navegações montava diversas embarcações, contribuindo para edições da revista Cruising World, especializada em iates e barcos.

Callahan partiu de Newport, em Rhode Island nos Estados Unidos, no ano de 1981, partindo num trajeto em um barco à vela de seis metros e meio que ele havia criado. Saindo dos Estados Unidos, ele foi até as Bermudas e, depois de pegar seu amigo Chris Latchem na parada, seguiu em direção à Inglaterra.

O destino não se concretizou de uma vez só, e atracou em La Coruña, na Espanha, após o mau tempo. A parada inesperada fez com que Steven fizesse uma pequena excursão com seu barco pela costa ibérica.

Já há sete dias no mar e longe da costa, seu barco passou por um forte vendaval. Sua experiência deveria ter sido o suficiente para passar sem nenhum sufoco nessa intempérie, mas durante uma tempestade à noite, um objeto abriu um buraco em seu barco, inundando a criação de Callahan.

O barco, apelidado de Napoleon Solo, estava inabitável e o obrigou a fugir através de um bote salva vidas projetado para seis pessoas. Ele entrou e saiu diversas vezes do barco em busca de itens que iriam ajudá-lo, entre elas: uma almofada, um saco de dormir, um kit de emergência com comida, mapas de navegação, um arpão, sinalizadores, lanternas, purificadores de água e um exemplar do livro Sea Survival, de Douglas Robertson.

A escassa comida que ele conseguiu recuperar do Napoleon Solo não foi o suficiente para muito tempo, logo, Steven teve que arranjar alimento com o que pode. Seu cardápio se resumia em pequenos peixes que chegavam perto da beirada do bote e pássaros que pousavam no bote.

Um dispositivo de resgate emitia sinais de rádio indicando que ele estava em apuros, mas o experiente velejador navegava em águas tão inóspitas, que não havia ninguém para atender o chamado de socorro.

Os dias passavam, e nenhum socorro aparecia. Como consequência, o sobrevivente começou a elaborar uma rotina diária para que conseguisse sobreviver o maior tempo possível. Passou a filtrar água, pescar e até mesmo se exercitar.

Durante seu período a deriva, Callahan teve que espantar tubarões de perto do bote e enquanto sua pequena embarcação rasgava constantemente. Depois de 76 dias no mar, sem nenhum contato com a civilização, um grupo de pescadores de Guadalupe, da América Central, avistou o bote de Steven.

Steven hoje em dia, dando uma de suas palestras / Crédito: Wikimedia Commons

 

O sobrevivente foi encontrado em grave estado de desnutrição e com diversos ferimentos causados pela água salgada do Oceano Atlântico. O sobrevivente foi levado para um hospital na mesma tarde em que foi resgatado, e saiu no mesmo dia. Depois disso, passou a viajar de carona por diversos barcos nas Índias Ocidentais.

Hoje, Steven Callahan é dono de uma das histórias de sobrevivência em alto mar mais impressionantes que existem, e ele faz questão de contar como venceu 76 dias diante da mais selvagem natureza.


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