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A cidade que parou em 1974: a conturbada história de Varosha

Quando os turcos invadiram o local na década de 70, seus residentes precisaram abandonar o local imediatamente

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 07/03/2021, às 10h00

Fotografia de Varosha
Fotografia de Varosha - Wikimedia Commons

Varosha era uma cidade famosa. Localizada na ilha de Chipre, fora repleta de hotéis, restaurantes, concessionárias e praias paradisíacas. Não quaisquer turistas, todavia, apenas aqueles que conseguiam pagar, o que incluía diversos atores ricos e famosos de Hollywood, como Brigitte Bardot e Elizabeth Taylor

Em um dia de 1974, todavia, a movimentação no local cessou repentina e completamente. Isso porque Varosha foi invadida por militares do exército turco, assim como toda a porção norte da ilha de Chipre, onde a Turquia criou um estado independente chamado “Chipre do Norte” - que, todavia, não conta com reconhecimento internacional. 

Fuga

Na época, os turistas e os residentes fugiram como puderam. Não deu tempo de eles organizarem suas malas, ou dos donos de estabelecimentos organizarem o esvaziamento dos prédios. Assim, tudo fora deixado para trás, intocado, tornando Varosha um lugar-fantasma, segundo repercutido pelo El País em 2019. 

E, diferente do restante da ilha de Chipre, os turcos foram impedidos de ocupar esse local em especial por ordens da própria Organização Mundial das Nações Unidas, a ONU. Segundo uma resolução do órgão de 1984, apenas os antigos habitantes poderiam voltar à área. 

Fotografia de Varosha na década de 60 / Crédito: Divulgação 

 

Em meio a essa delicada situação política e às complicações burocráticas, a região costeira permaneceu deserta por 46 anos, com as construções juntando poeira. Em outubro de 2020, todavia, essa situação mudou - ainda que parcialmente. 

Reabertura 

A reabertura parcial de Varosha foi anunciada pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e pelo primeiro-ministro da autoproclamada República Turca do Norte do Chipre, Ersin Tatar.

A notícia foi encarada com indignação pelos descendentes da população que foi expulsa do local em 1974, e do próprio governo cipriota, que é considerado a autoridade legítima do território. 

O bairro-fantasma ganhou vida novamente com diversos turistas interessados na sensação de imersão na década de 70 que os ambientes intocados eram capazes de proporcionar.

De acordo com um texto do Estado de Minas, a ação da reabertura foi estratégica, com o objetivo de atrair atenção internacional para o estado ainda sem reconhecimento da ONU, uma vez que passaria por um novo processo eleitoral em seguida. 

Fotografia de Varosha atualmente / Crédito: Getty Images 

 

Últimas atualizações 

Na última sexta-feira, 5, o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, teve um encontro com o atual presidente do Chipre, Nikos Anastasiadis, para discutir, entre outros assuntos, a situação da invasão turca.

"Esta visita pretende oferecer o apoio da União Europeia (UE) para se encontrar uma forma de retomar as conversações sobre a questão cipriota e ajudar a pôr fim a este prolongado problema, segundo os parâmetros da ONU", comunicou Borrell, segundo repercutido pelo jornal Mundo ao Minuto. 

A solução defendida pela ONU, até então, é que sejam criadas duas zonas na ilha, uma delas ocupada pelos cipriotas, e a outra pelos turcos, porém com uma única soberania. O governo turco, todavia, já se mostrou contrário à essa decisão, desejando que hajam dois estados independentes, portanto, duas soberanias no território.