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A curiosa noite de Kurt Cobain e João Gordo no Brasil: 'Eu vi o Kurt dando risada, brincando'

O apresentador conheceu o líder do Nirvana e o acompanhou durante o festival Hollywood Rock, em 1993

Wallacy Ferrari Publicado em 16/05/2021, às 09h00

João com Kurt (esq.) e com outros membros do Nirvana, Krist Novoselic e Dave Grohl (dir.)
João com Kurt (esq.) e com outros membros do Nirvana, Krist Novoselic e Dave Grohl (dir.) - Arquivo Pessoal / João Gordo

Em 1993, o festival Hollywood Rock era responsável por desembarcar no Brasil três das maiores bandas da história do rock em três dias de evento; além de contar com Red Hot Chilli Peppers e Alice in Chains, a organização conseguia aproveitar o auge do movimento grunge no mundo e trazer, de maneira inédita, a maior expoente daquele período.

O Nirvana desembarcava no país para tocar no palco do Estádio do Morumbi, em São Paulo, na noite de 16 de janeiro daquele ano. Com ingressos esgotados, totalizando mais de 110 mil pessoas, seria a maior apresentação em termos de público e estrutura para a banda, contando com uma marca de cigarros patrocinando o evento e estampando seu nome.

Quem não sabia deste último fato, no entanto, era o vocalista da banda, Kurt Cobain, que chegou em terras tupiniquins tranquilamente ao lado da esposa Courtney Love. Porém, um convidado que teve acesso aos bastidores do evento seria responsável por dar essa notícia em uma noite de loucuras ao quimérico grupo musical; era João Gordo, vocalista do Ratos de Porão e, posteriormente, apresentador na MTV Brasil.

Anúncio do festival Hollywood Rock em sua edição de 1993 / Crédito: Divulgação / Maksoud Plaza

 

Boas-vindas punk

João explicou, em entrevista ao Flow Podcast, que não tinha facilidade em falar inglês, mas conhecia alguns membros do conjunto e da equipe de acompanhamento, que também conheciam o trabalho de sua banda. Entre eles, o roadie do grupo, Big John Duncan, que anos antes era guitarrista da Exploited, sendo a ponte aos artistas ainda no hotel. 

Além disso, conheceu o baterista Dave Grohl anos antes em Amsterdã, quando ainda não fazia parte do grupo: “Eu conheci o Grohl em 1989. Ele tinha uma banda chamada Scream e a gente tocou no mesmo lugar, a gente se conheceu lá e tal. Aí passou dois anos, eu pego o disco do Nirvana lá, o ‘Nevermind’, tá lá o cara. [Eu falei] ‘Olha lá o cara do Scream, que f*da!’”

Com as pontes feitas, Kurt conheceu o brasileiro, mas parecia desanimado, solicitando heroína ao músico local. Gordo afirma que explicou a impopularidade da droga no país, mas ofereceu cocaína. Suficiente para desestruturar os estrangeiros, o show na noite contou com microfonia aguda, covers enfadonhos de outras bandas e até Kurt assumindo as baterias.

O resultado foi uma apresentação atípica, regada de drogas e desafinações, sendo descrita como um “ensaio horrível para 100 mil pessoas” pelo próprio João em entrevista ao Morning Show: “A gente ficou jogando na cabeça dele que tudo era uma merda, que era festival de propaganda de cigarro. Ele deu meio que uma pirada!"

João com Kurt (esq.) e com outros membros do Nirvana, Krist Novoselic e Dave Grohl (dir.) / Crédito: Arquivo Pessoal / João Gordo

 

After party de grunge

Se o show teve o clima de caos instaurado, o pós-show foi ainda mais maluco, como João relatou com detalhes em reportagem do portal UOL. O roqueiro explicou que, em momento nenhum, via um sorriso na feição de Cobain, acrescentando que o músico usava uma camiseta com a frase "I hate myself and I want to die" (eu me odeio e quero morrer, em tradução livre) manuscrita com caneta esferográfica.

Mesmo assim, conseguiu arranjar um rolê para o grupo; os colocando em um Corcel 2 azul claro, foram até o extinto bar Der Tempel, localizada na Rua Augusta — famosa em São Paulo pela predominância de casas de prostituição e bares alternativos durante a segunda metade do século 20. Por lá, ficaram até as 11h00 da manhã: “Estava tocando Beatles, músicas dos anos 60, e eles piraram. E só ali eu vi Kurt dando risada, brincando, rolando no chão”.

Ao Morning Show, João ainda revelou um outro momento, que envolveu Courtney: "Depois que a gente saiu da boate, ela viu um travesti na rua e desceu do carro que nem uma doida, com os peitos pendurados pra fora, e foi apalpar o travesti. A gente desceu [falando]: 'Sai daí, você tá louca meu, cê vai levar uma navalhada!'. Mas aí ela abriu a carteira e deu 300 dólares", completou.


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