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Alexander Solzhenitsyn, o homem que desafiou Stalin e passou 8 anos em um Gulag

Com críticas afiadas ao governo de Joseph Stalin, o russo foi condenado aos campos de trabalho e escreveu sobre a experiência

Pamela Malva Publicado em 19/09/2020, às 12h00

Alexander Solzhenitsyn voltando para a Rússia em 1994
Alexander Solzhenitsyn voltando para a Rússia em 1994 - Wikimedia Commons

Ocorrida entre 1917 e 1923, a Guerra Civil Russa foi responsável pela repentina pobreza de diversas famílias do país. Após o conflito, a fome era um dos maiores problemas da nação e muitas pessoas tiveram de se acostumar com o mínimo.

Esse foi o caso da família de Alexander Soljenítsin. Nascido em 1918, em plena guerra, o menino nunca conheceu seu pai, que morreu durante um dia de caça, e foi criado pela mãe, que sobreviveu com pouco, ou quase nenhum dinheiro.

Mesmo que de forma modesta, o menino cresceu com um profundo interesse em política e em ciências. Sua mente afiada e seus profundos conhecimentos, contudo, acabaram levando Alexander até um dos episódios mais trágicos de sua vida.

Alexander com suas roupas de como oficial do Exército Vermelho, em 1943 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Nacionalismo soviético

Formado em matemática e física pela Rostov State University, o jovem russo nunca realmente chegou a criticar a supremacia da União Soviética enquanto estudava seu país. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, todavia, a sua leitura mudou.

Servindo ao Exército Vermelho nos campos de batalha, Alexander teve uma visão muito mais aprofundada do que acontecia no front. Civis alemães espancados no meio da rua e mulheres estupradas friamente eram apenas algumas das cenas que ele presenciava.

Indignado com a brutalidade dos companheiros soviéticos, ele escreveu algumas cartas sobre a regência de Joseph Stalin. Nas correspondências, ele falava ao amigo, Nikolai Vitkevich, sobre a necessidade de um novo governo soviético.

Retrato de Alexander em meados de 1974 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Críticas fatais

Não demorou muito para que as cartas de Alexander fossem interceptadas e, sem chance de defesa, ele foi acusado de propaganda anti-soviética. Em 7 de julho de 1945, ele foi condenado à oito anos de pena em um campo de trabalho soviético.

Em um primeiro momento, o russo foi levado até um centro de pesquisa científica. Mais tarde, no entanto, Alexander foi realocado para um campo de prisioneiros políticos — ou Gulag — onde trabalhou como metalúrgico, mineiro e pedreiro.

Com as ferramentas em mãos, o condenado aproveitava as longas horas de trabalho para criar, recitar e memorizar poemas e livros sobre os episódios que assistia. Todas as experiências dele no Gulag, inclusive, foram canalizadas em obras publicadas depois.

Alexander na Alemanha Ocidental, em 1974 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Doce liberdade

Enquanto estava nos campos de trabalho, Alexander passou por uma minuciosa cirurgia e teve um tumor retirado de seu corpo. Na época, entretanto, o câncer que ele carregava não foi detectado, muito menos diagnosticado.

Em março de 1953, o prisioneiro foi finalmente libertado e exilado em Birlik, no Cazaquistão do Sul. Lá, a doença de Alexander se espalhou e ele conseguiu a autorização para ser tratado em um hospital da região. Na instituição, o tumor que ele ainda possuía entrou em remissão — caso contrário, ele não teria resistido.

Uma vez liberto, após algumas idas e vindas com sua primeira esposa, Alexander casou-se pela segunda vez, agora com Natalia Dmitrievna, com quem teve três filhos. Mais tarde, ele colocou todas as suas obras no papel, tornando-se um autor de referência.

Alexander em encontro oficial com Vladimir Putin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Passaporte carimbado

Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1970, ele supostamente foi vítima da impiedosa KGB. Em agosto de 1971, ele teria sido envenenado por uma forte substância — provavelmente ricina —, mas sobreviveu à tentativa de assassinato. 

Anos mais tarde, em fevereiro de 1974, Alexander foi deportado para a Alemanha Ocidental. Naquela época, vivendo entre países como Estados Unidos e Suíça, ele publicou mais alguns de seus livros e chegou a estudar na Universidade de Harvard.

Foi apenas na década de 1990 que o exilado teve sua cidadania russa restaurada e, assim, pôde voltar para seu país de origem. Autor premiado e constante crítico político, Alexander Soljenítsin morreu de insuficiência cardíaca, em agosto de 2008. Ele tinha 89 anos e, em seu enterro, diversas autoridades russas lhe prestaram homenagens.


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