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Alexander Turney Stewart, o milionário que foi sequestrado depois de morto

Com uma fortuna avaliada em cerca de 90 bilhões de dólares em tempos atuais, o empreendedor do ramo varejista foi alvo de um infame episódio após sua morte, em 1876

Fabio Previdelli Publicado em 08/07/2020, às 18h00

Retrato de Alexander Turney Stewart
Retrato de Alexander Turney Stewart - Wikimedia Commons

Alexander Turney Stewart foi um importante comerciante têxtil americano e dono de lojas de produtos que se transformaram em verdadeiras potencias nos ramos de atacado e varejo. Seus negócios fizeram tanto sucesso que suas empresas se tornaram uma das mais lucrativas do mundo.

Em 1869, para se ter uma ideia de seu sucesso, suas lojas resultaram num lucro de quase 2 milhões de dólares, o que seria equivalente a mais de 30 milhões de dólares em uma cotação atual. Seu êxito na indústria, inclusive, lhe fizera uma das 20 pessoas mais ricas da história, com uma fortuna avaliada em cerca 90 bilhões de dólares.

Antes de sua morte, em 1876, Stewart conseguiu fazer uma verdadeira revolução, criando suas próprias instalações de fabricação para suprir suas operações de atacado e varejo. Com essas fábricas, situadas em Nova York e na Nova Inglaterra, o empreendedor produziu seus próprios tecidos de lã e empregou milhares de trabalhadores.

Residência em Nova York da Alexander Turney Stewart / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além do mais, também atuou em vários comitês da Câmara de Comércio do Estado de Nova York entre 1826 e 1871. Um fato curioso é que, embora nunca tenha sido eleito prefeito do Estado, ele participou do funeral de Lincoln como delegado da Câmara.

Fora do atacado e varejo, o magnata também investiu na construção de outros empreendimentos, como a vila de Garden City, em Hempstead Plains, Long Island, que tinha como objetivo proporcionar a seus funcionários moradias mais confortáveis e arejadas, tudo isso com um custo bem mais moderado do que o padrão da época.

Após sua morte, no entanto, os investimentos não pararam e sua esposa Cornélia ergue vários edifícios em sua memória, incluindo a St. Paul's School e a Cathedral of the Incarnation — que serviu como mausoléu para ela e Stewart.

O Bizarro sequestro de um cadáver

Alexander Stewart morreu como um dos homens mais ricos de Nova York, logo atrás de um membro das famílias Vanderbilt e Astor, mas que ao contrário do que era comum naquele tempo, obteve sua riqueza no comércio varejista e não no setor imobiliário.

Outro fato bem marcante sobre o magnata era sua gratidão com seus funcionários. Dos 24 empregados que ingressaram na AT Stewart & Company, em 1836, seis ainda trabalhavam para a empresa quando ele veio a falecer. Como forma de reconhecimento, ele separou mais de 250 mil dólares — o equivalente a 6 milhões de reais hoje em dia — para eles em seu testamento.

Mas, apesar de ser bem quisto por muitos, seu dinheiro também gerava interesse e por conta disso ele não teve descanso nem depois de morrer. Isso porque, entre as nove horas da noite do dia 6 de novembro e a luz do dia na manhã de 7 de novembro de 1878 — 2 anos, 6 meses, 24 dias após seu enterro —, seu corpo foi roubado de sua tumba.

Seus restos mortais foram mantidos escondidos sob um pedido de resgate de 20 mil dólares. A quantia foi paga dias depois e seus restos foram devolvidos. Bom, pelo menos é isso que se acredita, embora a ossada nunca tenha sido verificada como sendo realmente dele.

O "Palace" de ferro fundido de Stewart, construído em 1862, ocupava um quarteirão inteiro na Broadway / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por conta disso, uma lenda local afirma que o mausoléu que mantém seus restos mortais é equipado com dispositivos de segurança que farão com que os sinos da catedral soem se eles algum dia forem perturbados novamente.

Fora esse pequeno acidente, a maior parte de sua fortuna que foi entregue à sua esposa, com o juiz Henry Hilton como administrador, acabou sendo alvo de litígio prolongado, com uma enxurrada de possíveis parentes de Stewart aparecendo depois de perdidos por muito tempo. Mas muitos deles acabarem sendo desmascarados.

A Sra. Stewart, que morava em Nova York e no Grand Union Hotel em Saratoga Springs, Nova York, morreu de pneumonia em 25 de outubro de 1886. Posteriormente, em 1917, o jornal New York Sun comprou o Palácio de Mármore de Stewart para seus escritórios principais. Em 1966, o edifício foi designado como marco pela cidade de Nova York.


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