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As insanidades de Richard Chase, o 'Vampiro de Sacramento'

Mentalmente perturbado desde criança, Richard foi responsável por crimes brutais

Fabio Previdelli Publicado em 08/05/2021, às 11h00

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Imagem ilustrativa - Pixabay

A Tríade de Macdonald é um conjunto de três fatores dos quais especialistas consideram preditivos de, ou associados a, tendências violentas, particularmente em relação a criminosos em série quando são crianças ou adolescentes. 

A Tríade foi proposta pela primeira vez pelo psiquiatra J. M. Macdonald em um artigo de 1963, intitulado “The Threat to Kill", que foi publicado no American Journal of Psychiatry. Estas três características são: incontinência urinária avançada; crueldade e/ou abuso sádico de animais e, até mesmo, de outras crianças; e a piromania (ou a obsessão por causar incêndios). 

De acordo com o estudo, a presença de ao menos duas destas características já pode indicar uma possível tendência para o desenvolvimento de um serial killer.  

Se dois desses fatores já podem ser, potencialmente, perigosos o suficiente, o que podemos dizer de um garoto que tinha esses três aspectos? Bom, para as vítimas de Richard Chase, o Vampiro de Sacramento, elas significavam uma abordagem brutal. 

Um menino problemático 

Nascido em 1950, em Santa Clara, na Califórnia, Richard Chase sofreu, junto com sua irmã, constantes abusos de seu pai que, sempre muito rígido, fazia questão de impor uma disciplina pesada para seus filhos — nem que isso significasse ter que usar a violência para isso, como explica matéria da Superinteressante.  

 Além disso, desde muito cedo, ele já apresentava sinais de uma saúde mental debilitada, De acordo com matéria do site All That Interesting, Richard já era perturbado e infeliz quando criança, sendo que esses sintomas pioraram na adolescência — quando passou a apresentar as três características da Tríade de Macdonald. 

Aos 10 anos, diz a Super, Richard também se tornou um alcóolatra. Mais tarde, aos 18, foi expulso de casa e mergulhou de cabeça em drogas pesadíssimas, que logo o tornaram um dependente. Não demorou muito até que ele tivesse que passar um ano em um hospital psiquiátrico, já que paranoias e alucinações se tornaram algo constante em sua vida.  

Nesta época de internação, como explica a Super, Richard recebeu o apelido de “Drácula”, pois pacientes diziam que ele matava coelhos para beber seu sangue. Chase acabou sendo diagnosticado com esquizofrenia paranoide e teve que passar por uma bateria de tratamentos com drogas psicotrópicas.  

Tempos depois, ele acabou por não ser mais considerado um perigo para a sociedade, como diz Roberte Ressler no livro ‘Whoever Fights Monsters: My Twenty Years Tracking Serial Killers for the FBI’, e acabou sendo liberado para a custódia de sua mãe. 

Embora Richard Chase tivesse sido entregue aos cuidados de sua mãe, não havia nada legalmente obrigatório que o obrigasse a ficar com ela. Pouco depois de receber alta do hospital psiquiátrico, se mudou. Mais tarde, declarou que achava que sua mãe estava tentando envenená-lo, explica o All That Interesting.  

Morando sozinho, elevou seus níveis de insanidade, acreditando que precisava de sangue para sobreviver, já que, sem isso, acreditava que seu corpo se desintegraria. Assim, começou a matar animais pela vizinhança.  

Por seu vício, Chase foi abordado por policiais em uma reserva na área de Pyramid Lake, em Nevada. Na ocasião, seu corpo estava coberto de sangue e um balde com um órgão foi encontrado na parte de trás de seu carro.

Como explica o New York Daily News, logo as autoridades constataram que tudo aquilo pertencia a uma vaca e liberaram Richard sem que nenhuma acusação fosse apresentada. Porém, logo os animais não seriam mais o suficiente para saciá-lo. É aí que começa os crimes horrendos.  

Vítimas de um serial killer 

Em 29 de dezembro de 1977, Richard estava frustrado e solitário, afinal, sua mãe não havia permitido que ele voltasse para a casa dela no Natal. Com isso, andava pela rua quando se deparou com Ambrose Griffin, de 51 anos, que ajudava sua esposa a carregar alguns mantimentos.  

Enquanto dirigia, segundo o All That Interesting, sacou uma pistola calibre 22 e atirou contra o peito de Ambrose. Sua obsessão começava ali. 

Com o tempo, também desenvolveu o hábito de invadir casas alheia, onde as bagunçava urinando e defecando no chão. Segundo a Super, porém, ele só fazia isso nas casas que tinham suas portas destrancadas, afinal, não se sentia bem-vindo ao dar de cara com uma porta trancada. Algo bem semelhante a histórias de vampiros, não? 

No ano seguinte, em 23 de janeiro, mais uma vítima. Entrou na casa de Teresa Wallin, que estava grávida, deu três tiros nela — com a mesma arma usada para assassinar Griffin —, depois a esfaqueou, cortou seus órgãos e bebeu seu sangue. 

Apesar da brutalidade, o pior ainda estava por vir. Seis dias depois, Chase encontrou a porta de Evelyn Miroth destrancada. Em sua casa, além dela, estava seu filho de seis anos, chamado Jason; um amigo dela, Dan Meredith; e seu sobrinho de apenas 22 meses, David Ferreira

Meredith tomou um tiro na cabeça quando estava no corredor. Evelyn e Jason foram encontrados em um dos quartos da casa — o menino havia sido baleado duas vezes na cabeça, já sua mãe foi alvo de canibalismo.

O bebê, no entanto, não estava na cena do crime. Ele só foi encontrado meses depois, decapitado atrás de uma igreja.  

Vampiro capturado 

Naquela noite, um visitante indesejado bateu na porta da casa de Evelyn, o que acabou o assustando. Com isso, a vizinhança chamou a polícia e o cerco contra o vampiro começou a se fechar, principalmente porque ele havia deixado impressões digitais por toda a parte.  

Quando a polícia invadiu sua casa, se depararam com o mais tenebroso cenário de filme de terror. Seus utensílios estavam manchados de sangue. Além disso, segundo a Super, ele guardava um caderno onde anotava todos os seus assassinatos e as datas que eles aconteceram.  

Após cinco meses de julgamentos, o Vampiro de Sacramento foi considerado culpado de seis acusações de assassinato e condenado à morte por câmara de gás. Seus companheiros de prisão, cientes de seus crimes, ficaram com medo dele, e o encorajaram a se matar. 

E foi justamente isso que ele fez. Estocando o medicamento ansiolítico que lhe foi oferecido pela equipe da prisão, ele juntou até que tivesse o suficiente para uma overdose fatal. Richard Chase foi encontrado morto em sua cela no dia seguinte ao Natal de 1980.


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