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Museu saudita a céu aberto: As ruínas dos Nebateus em Al Ula

O local foi redescoberto pela comunidade global após o ano de 2018

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/09/2021, às 17h29

Fotografia aérea da cidade histórica
Fotografia aérea da cidade histórica - Wikimedia Commons

Al Ula é uma cidade histórica que foi construída há mais de 2 mil anos pelo povo nebateu. Suas ruínas, que trazem uma valiosa arquitetura pré-islâmica, estão localizadas no deserto da Arábia Saudita.

Por muito tempo, o local, embora seja tombado como um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, permaneceu abandonado. Em 2018, todavia, isso mudou, com o príncipe saudita Mohamed bin Salman. Ele fez uma parceria com Emmanuel Macron, presidente da França, para restaurar e explorar melhor o rico sítio arqueológico através de um complexo projeto. 

Outro aspecto do acordo franco-saudita é a proteção das ruínas de agentes que possam destruí-las, como atos de vandalismo e a própria ação da erosão, afinal de contas Al Ula fica em uma zona onde venta muito, possuindo também diversos desfiladeiros.

A colaboração entre os dois países foi muito ampla, estendendo-se não apenas ao estudo arqueológico, mas a todos os elementos relativos à valorização de um patrimônio histórico — algo que a França tem feito há muito mais tempo que a Arábia Saudita, de forma que existe um compartilhamento de conhecimento por trás do acordo. 

"A cidade de Al-Ula é um museu a céu aberto. Há muita história aqui esperando para ser descoberta", afirmou Bandar al Anazi, guia turístico que estava então analisando os vestígios históricos, segundo divulgado pela AFP na época. 

Fotografia tirada em Al-Ula / Crédito: Divulgação/ Experience Al Ula

 

Os investimentos na cultura e turismo da cidade, que chamaram a atenção do mundo para o lugar milenar, foram parte dos esforços sauditas para terem sua economia menos dependente da indústria petrolífera.

Tesouros do local 

Além das construções, que formam um labirinto de pedra até perder de vista, existem tumbas, inscrições e registros artísticos de caça que foram deixadas pelos Nebateus, que eram um povo árabe dedicado ao comércio.

Até por isso, o lugar onde vivia, ficava no cruzamento da chamada Rota da Seda e Rota do Incenso, sendo uma rota de passagem para caravanas que viajavam entre a África e a Índia, por exemplo.

A arte rupestre citada, por sua vez, é muito importante para que arqueólogos entendam melhor as tradições e crenças dessa civilização hoje extinta. Outra curiosidade é que esse mesmo povo construiu outra cidade antiga, a Petra, que fica na Jordânia. 

Uma das tumbas de Al Ula / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um dos motivos pelo qual as ruínas causam empolgação na comunidade de arqueologia é por conta de sua extensão: Al Ula é enorme, possuindo as dimensões de um país.

O lugar possui uma área equivalente à da Bélgica — dessa forma, seu potencial para pesquisa é imenso. "Todo dia algo novo é descoberto", comentou no período o especialista Jamie Quartermaine, de Oxford. Sua frase foi repercutida pelo El País. 

Embora Al Ula tenha sido chamada de "museu a céu aberto", outro detalhe interessante que foi combinado em 2018 é que seria feita a construção de um museu no sentido tradicional da palavra próximo à cidade dos Nebateus. 

A promessa feita na época foi de que em "3 ou 5 anos", de acordo com a AFP, os turistas poderiam começar a explorar o local. 


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