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A assombrosa múmia do faraó Seqenenre Tao, violentamente assassinado pelo inimigo

Ainda é possível observar as brutais marcas de machado e adaga feitas em seu crânio, sinais de uma morte impetuosa

Isabela Barreiros Publicado em 13/05/2020, às 07h00

A múmia de Seqenenre Tao
A múmia de Seqenenre Tao - Wikimedia Commons

As batalhas fizeram parte da curta trajetória de Seqenenre Tao como faraó. A data exata de seu governo não é certa, mas muitos arqueólogos indicam que ela provavelmente ocorreu entre 1560 e 1555, durante o Segundo Período Intermediário. Pertencente à 17ª Dinastia do Egito Antigo, foi filho de Tao I e da rainha Tetisheri.

Provavelmente devido a sua atuação em conflitos, ficou conhecido como “O Bravo”. Mais do que ter uma postura diplomática ativa com reinos asiáticos, Seqenenre liderou batalhas militares contra os hicsos, um povo semita asiático que dominou parte do território egípcio naquele período. Para expulsá-los de suas regiões, o rei ordenou inúmeros ataques contra os inimigos.

A conduta combativa foi a principal responsável pela morte do faraó. Sua impressionante múmia mostra de maneira clara os ferimentos sofridos por ele antes de morrer, o que é possível que tenha acontecido pouco antes de sua morte, ou até mesmo causado o óbito do combatente.

Descoberta da múmia

Crédito: Wikimedia Commons

 

O corpo mumificado do governante foi encontrado na tumba de Deir el-Bahri, localizada necrópole de Tebas, no Egito. O túmulo DB320 pode ser considerado uma espécie de esconderijo para múmias do Egito Antigo: ele abrigou durante muito tempo ao menos 50 restos mortais de faraós, rainhas e nobres do Egito Antigo, contando ainda com muitos equipamentos fúnebres dessas pessoas.

Acredita-se que essa medida tenha sido tomada em algum momento durante a dinastia 21 por pessoas que queriam proteger sarcófagos e suas múmias dos constantes ataques causados por vândalos. Para enganar esses ladrões de túmulo, as relíquias foram guardadas no local — e a técnica funcionou, visto que hoje ainda temos acesso a inúmeras delas, encontradas em 1881.

Seqenenre foi desembrulhado pelo egiptólogo francês Eugène Grébaut, logo após o arqueólogo Gaston Maspero renunciar seu cargo de diretor nas escavações egípcias. Ainda assim, o último também auxiliou de maneira muito próxima o processo de estudo da múmia, descrevendo-a e formulando hipóteses sobre a morte do líder.

“Não se sabe se ele morreu no campo de batalha ou foi vítima de alguma conspiração; a aparência de sua múmia prova que ele morreu violentamente quando tinha cerca de quarenta anos de idade”, escreveu Maspero em um de seus relatórios.

Ele começa, então, a tentar entender o que teria realmente causado o óbito do faraó. Para o egiptólogo “dois ou três homens, assassinos ou soldados, devem tê-lo cercado e o despachado antes que a ajuda estivesse disponível. Um golpe de um machado deve ter cortado parte da bochecha esquerda, exposto os dentes, fraturado a mandíbula e o enviado sem sentido ao chão; outro golpe deve ter ferido gravemente o crânio, e uma adaga ou dardo cortou a testa do lado direito, um pouco acima do olho”.

A múmia vista por baixo / Crédito: Wikimedia Commons

 

É claro que os aspectos mais marcantes do corpo são suas violentas marcas de guerra, causadas principalmente em seu rosto. Como seus braços e mãos estavam intactos, supôs-se que ele não foi capaz de se defender do ataque que causou sua morte.

Existem três hipóteses sobre o caso: Seqenenre teria morrido em batalha, assassinado enquanto dormia, ou, ainda, executado pelo rei hicso. Em 2009, o egiptólogo Garry Shaw e pelo arqueólogo e especialista em armas Robert Mason fizeram a reconstrução facial do faraó e chegaram à seguinte conclusão: "que a causa mais provável da morte de Seqenenre é a execução cerimonial nas mãos de um comandante inimigo, após uma derrota de Teban no campo de batalha”.

Além disso, o corpo provavelmente foi mumificado às pressas. Maspero também notou isso durante sua inspeção: “seu corpo deve ter permanecido deitado onde caiu por algum tempo, quando encontrado, a decomposição havia se estabelecido e o embalsamamento tinha que ser realizado às pressas da melhor maneira possível”.

Raios X realizados em 1960 demonstraram que algumas técnicas muito utilizadas para a mumificação, como a remoção do cérebro ou a adição de linho nos olhos não foram realizadas. É possível que a múmia tenha sido levada de volta ao Egito, onde teve de ser rapidamente preservada.


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