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Batalha das Toninhas: o inacreditável erro da Marinha brasileira que ficou marcado na história da Primeira Guerra

O cruzador Bahia foi escalado para lutar junto à entente no Mediterrâneo no ano de 1918 — mas errou feio o alvo

André Nogueira Publicado em 15/01/2021, às 14h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação

Quando submarinos alemães explodiram dois navios brasileiros que carregavam café do Porto de Santos, em abril de 1917, o ato funcionou como declaração de guerra da Tríplice Aliança ao Brasil, que entra no conflito ao lado dos EUA.

Sem grande tradição de guerras intercontinentais, a Marinha brasileira é convocada para lutar junto à Entente no Mediterrâneo.

O Brasil manda então uma frota de navios ao outro lado do Atlântico como suporte a seus aliados. Circundando Dacar, em novembro do ano seguinte, o almirante Fernando Frotin, no comando do cruzador Bahia, recebe ordens de navegar a norte e adentrar à orla do Mediterrâneo, em direção ao coração da guerra. Mas é alertado pelos britânicos para ficar atento, pois os submarinos alemães já haviam afundado o encouraçado HMS Britannia (do Reino Unido) que havia sido designado para acompanhar a flotilha brasileira nessa viagem.

Cruzador Bahia (Wikimedia Commons)

 

Partindo para Norte, os brasileiros adentram o mediterrâneo atravessando o estreito de Gibraltar quando percebem uma movimentação estranha nos arredores do navio e o aparecimento de algo na superfície da água, confundido com o periscópio de um submarino inimigo. Como não havia tecnologia para identificar quem gerava aquela movimentação à época, Frotin, no comando da operação e sido alertado da presença dos alemães, ordena que sua frota abra fogo contra as entidades.

A cena logo é substituída pelo silêncio constrangedor que assistia ao sangue que subia e se dissolvia na água salgada do mar: os canhões do Bahia atingiram um cardume de toninhas (matando 46), mamífero marinho parecido com o golfinho e que circundava inocentemente os barcos que passavam na região. Como o fazem até hoje.

O Bahia seguiu inteiro durante a guerra e só afundou em 1945, em um acidente com a munição interna.


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