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Bayard Rustin, o ativista que sofreu boicote do próprio movimento por ser gay

Uma grande influência para Martin Luther King, ele organizou a famosa Marcha sobre Washington de 1963, mas seu legado quase foi apagado

Isabela Barreiros Publicado em 27/11/2020, às 08h00

O ativista Bayard Rustin
O ativista Bayard Rustin - Wikimedia Commons

Em 28 de agosto de 1963, a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade reuniu mais de 250 mil pessoas em uma manifestação popular pacífica. De gigantescas proporções, o evento ficou famoso por ter sido palco do discurso histórico de Martin Luther King Jr., o “Eu tenho um sonho”.

Aquele era o ápice do Movimento Pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, que exigia melhores condições para a população afro-americana. “Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje”, discursou MLK.

A mente por trás de toda essa movimentação foi Bayard Rustin, um ativista que foi responsável por dar muitos conselhos ao próprio Luther King. Ele teve apenas dois meses para organizar a marcha e não se esperava que tantas pessoas iriam aparecer. No entanto, o legado do americano quase foi apagado por um preconceito além do racial.

Martin Luther King durante um de seus discursos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dentro do próprio movimento, Rustin começou a sofrer com a homofobia. Negro, gay e ativista, ele foi subjulgado e posto ao ostracismo até mesmo pelo líder de toda a organização. Isso, no entanto, não fez com que ele parasse: até o final de sua vida, ele lutou pelos direitos dos negros e da comunidade LGBTQ.

Começo difícil

Nascido em 1912 de uma mãe de 16 anos, ele foi criado pelos seus avós. Eles eram membros do grupo cristão Sociedade dos Amigos, chamados de quacres, e esse pensamento influenciou o homem em toda sua vida, principalmente quando começou a se envolver no ativismo.

Desde cedo, Rustin já demonstrava um enorme potencial. Ele entrou na Universidade Wilberforce, em Ohio, mas sua rebeldia começou a gerar atritos com a diretoria: ele relatou mais tarde que foi expulso da instituição por começado a organizar uma greve de estudantes para exigir uma melhor alimentação no campus.

Ele, então, voltou para o seu estado natal e pediu transferência para a Universidade Cheyney State Teachers, onde, de fato, iniciou sua trajetória como ativista. O jovem começou a frequentar organizações anti-guerra na faculdade, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. 

Foi assim que ele conheceu Leslie Pinckney Hill, um importante líder comunitário negro que o colocou no caminho da militância. Logo inserido no meio, Bayard logo passou a ser enviado pela universidade para participar de ações pelos direitos civis negros, onde dava apoio e, ocasionalmente, discursos. 

Embora tivesse sido o local onde as habilidades do jovem como líder tivessem se aflorado, ele logo abandonou a instituição e não se sabe exatamente porque. Segundo John D'Emilio em seu livro, O Profeta Perdido: A Vida e os Tempos de Bayard Rustin (2003), a razão pode estar relacionada a sua sexualidade. 

Homofobia

Crédito: Wikimedia Commons

 

O estigma em torno da homossexualidade fez com que Rustin tivesse um passado controverso, quando foi preso por ter feito sexo com um homem dentro do carro, parado em um estacionamento. Acusado de “perversão sexual”, ele foi obrigado pela polícia a se registrar como um “agressor sexual”.

Como um homem negro e gay, a época já demonstrava que ele iria sofrer muito preconceito, advindo de ambas as características. No entanto, isso não vinha só da sociedade e da polícia em específico: dentro do próprio movimento negro, ele começou a ser afastado pelas pessoas.

A sexualidade de Bayard começou a ser usada como motivo para que o movimento fosse desacreditado. Isso vinha principalmente dos opositores, mas a verdade é que os principais nomes da organização também o condenaram ao ostracismo, até mesmo o próprio Martin Luther King. 

Ele foi responsável por organizar comícios, escrever discursos, participar de protestos e teve uma influência direta no maior líder do movimento. Mas isso não foi o suficiente: por ser gay, ele foi colocado de lado por seus próprios parceiros de luta. 

Seu legado não foi apagado, mesmo que muitos tenham tentado. Durante toda a sua vida, Rustin lutou pelos direitos civis tanto dos negros quanto dos LGBTs, duas comunidades das quais ele fazia parte, e morreu em 24 de agosto de 1987.


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