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A cabana 28: o terrível crime sem solução na residência da família Sharp

Em 1981, o Resort Keddie deixou de ser visto como uma fuga paradisíaca e foi marcado por assassinatos brutais

Nicoli Raveli Publicado em 05/05/2020, às 19h00 - Atualizado às 22h30

Glenna Susan Sharp, Tina Sharp, John Sharp e Dana Wingate
Glenna Susan Sharp, Tina Sharp, John Sharp e Dana Wingate - Divulgação

A cidade de Keddie, localizada no norte da Califórnia, sempre abrigou diversos viajantes em um resort que chamava atenção por sua beleza natural e pelas cabanas feitas de madeira. Muitas pessoas viam o local como ideal para o descanso e até mesmo para a criação temporária de uma família — pelo menos era o que todos pensavam antes do dia 11 abril de 1981.

Tudo começou quando Glenna Susan Sharp, mãe de John, de 15 anos, Sheila, de 14, Tina, de 12, Rick, de 10, e Greg, de cinco, se separou do marido e mudou-se para Keddie. Chegando lá, a família, que procurava por um local tranquilo, ocupou a cabine 28 do resort. Todavia, não demorou muito para que a área deixasse de ser lembrada como um paraíso, e sim como o cenário de um brutal crime.

Era mais um dia comum em Keddie. Glenna estava na cabana e esperava por seu filho, John, e sua amiga, Dana Wingate, que já estavam a caminho de casa devido à carona do jovem estudante Craig Walters. No mesmo dia, Tina estava na residência da família Seabolt para assistir televisão. Quando Sheila chegou ao local, a garota foi para casa, enquanto a mais velha passou a noite na casa dos vizinhos.

Dessa maneira, a mãe estava na cabine 28 acompanhada de John, sua amiga, Dana, e de seus filhos mais novos, Rick e Greg, além de um amigo das crianças, Justin Smartt.

Local onde ficava a Cabana 28/ Crédito: Divulgação 

 

A noite misteriosa

Aquela noite foi marcada por um crime brutal. Na manhã do dia seguinte, Sheila retornou a sua casa e, ao entrar na cabana, encontrou os corpos de Glenna, John e Dana amarrados com arame e fita adesiva, próximos a duas facas ensanguentadas e um martelo.

Olhando ao redor, a garota percebeu que a garganta de John havia sido cortada, enquanto Dana havia sido estrangulada e apresentava ferimentos na cabeça. Já sua mãe, estava sem calça, amordaçada com sua calcinha, havia sido esfaqueada no peito e teve sua garganta cortada. Ademais, foi encontrada a coronha de uma pistola, uma parte da arma que dá estabilidade, precisão e rapidez na hora de realizar o tiro.

Mais tarde, a perícia concluiu que os três sofreram traumatismo craniano que poderiam ter sido causados por um martelo. A autópsia declarou que todos morreram devido ao trauma na cabeça e aos ferimentos causados por facas.

Todavia, a cena não era a única coisa a ser questionada, uma vez que Tina, que havia caminhado para sua casa na noite anterior, estava desaparecida, e as três crianças, Rick, Greg e Justin estavam em um quarto na mesma casa e não foram vítimas dos criminosos.

Assustada ao ver os corpos de seus entes queridos, Sheila voltou à casa dos Seabolts e contou o que havia encontrado. Foi quando James Seabolt decidiu ir à casa de Glenna para socorrer as crianças pela janela do quarto. Durante seu ato, o homem entrou na casa pelas portas do fundo para checar se mais alguém estava vivo, causando uma possível contaminação das evidências do crime.

O início da investigação

A família Seabolt, com quem Sheila havia passado à noite, declarou que não tinha ouvido nenhum barulho suspeito. Porém, enquanto as autoridades buscavam por alguma pista, um casal, também morador do resort, afirmou que foi acordado às 1h30 da manhã com supostos gritos, mas não soube informar de onde o som vinha.

Ao avistar o local pela primeira vez, a polícia notou a ausência de marcas na porta, o que indicava que o criminoso – ou criminosos – havia entrado na casa sem usar a força.

Além disso, a casa estava com as luzes apagadas, o telefone encontrava-se fora do gancho e as cortinhas estavam fechadas.  Ainda na procura por alguma pista, as autoridades encontraram uma impressão digital no corrimão da escada que levava até a porta dos fundos da cabana 28.

Mesmo sem descobrir muitos rastros, os policiais decidiram seguir a investigação e entrevistaram diversos suspeitos. Entre eles, estava um morador de Keddie que havia desaparecido pouco tempo após os assassinatos. Ele foi encontrado em Oregon e foi submetido a um exame detector de mentiras, mas logo foi liberado.

Faca e martelo encontrados na cena do crime / Crédtio: Divulgação 

 

Sem encontrar uma luz, os detetives recorreram novamente aos moradores da cidade. Dessa vez, os pais de Justin prestaram depoimento. De acordo com o casal, a jaqueta que Tina usava foi encontrada no porão de sua casa, enquanto um martelo havia desaparecido. Todavia, as pistas não levavam a lugar algum, o que resultou na declaração do condado Doug Thomas: Martin Smartt, pai de Justin, queria "jogar a suspeita para longe dele". 

Posteriormente, os oficiais decidiram entrevistar a família Seabolt outra vez, o que ocasionou em outra pista. Agora, eles se lembraram de ter avistado uma van verde estacionada em frente à cabana, enquanto outros vizinhos alegaram ter visto um Datsun marrom no mesmo local, que possivelmente estava com um pneu furado.

A hipnose de Justin e suas consequências

Quando foi abordado pela primeira vez, Justin havia dito que tinha sonhado com a aparência dos assassinos. Mais tarde, o garoto afirmou que havia testemunhado o crime daquela noite, mas não se lembrava de muitos detalhes.  

Dessa maneira, os pais do jovem procuraram uma resposta sobre o crime por meio de um hipnólogo. Foi quando o menino disse que tinha ouvido sons provenientes da sala. Logo, ele decidiu ir até o local e avistou Glenna e dois homens. Um foi caracterizado com cabelos curtos e bigode, enquanto o outro tinha uma barba curta e cabelos longos.

Ainda em hipnose, o garoto relatou que viu quando Dana e John chegaram a residência. Ambos começaram a discutir com os homens que usavam óculos. Foi quando aconteceu a primeira luta com os criminosos e Tina chegou a casa. No mesmo momento, a garota foi retirada do local e não se sabe, ao certo, para onde foi levada.

Devido a descrição feita pelo menino, o artista Harlan Embry deu vida aos esboços dos infratores. Logo, a imprensa também passou a divulgar suas características: homens entre 20 a 30 anos com óculos de sol dourado. O de cabelos loiros tinha de 1,80 a 1,88 metros, enquanto o de cabelos pretos tinha de 1,68 a 1,78 metros. Mesmo com um trabalho de mais de quatro mil horas, Thomas descartou os últimos suspeitos pelo crime, os serial killers Henry Lee Lucas e Ottis Toole.

Esboço dos possíveis assassinos / Crédito; Divulgação 

 

Ainda no decorrer da investigação, o policial desmentiu a informação de que o crime podia ter sido motivado pelo narcotráfico, uma vez que não foram encontradas drogas na casa de Glenna. Carla McMullen, uma amiga da família, afirmou que Dana Wingate, amiga de John, havia roubado LSD dos traficantes da área. Como o fato não pode ser confirmado, a alegação não foi considerada.

Os restos mortais de Tina Sharp

Devido ao depoimento de Justin, todos acreditavam que Tina havia sido removida da cena do crime. Porém, para onde teriam levado a jovem? Essa era apenas uma das inúmeras perguntas do FBI.

Primeiramente, a investigação realizou uma pesquisa ao redor da residência, atingindo oito quilômetros explorados, mas nada foi encontrado. Apenas três anos depois do crime, um colecionador de garrafas encontrou um crânio humano e parte da mandíbula em Feather Falls, a 160 quilômetros de Keddie.

Perto de seus retos mortais, os detetives descobriram uma jaqueta feita de nylon azul, um cobertor e um par de calças jeans da marca Levi Strauss & Co. Em 1984, no mesmo ano da descoberta, a patologia confirmou que as partes do cadáver pertenciam a Tina.

A investigação posterior

Em 1996, Robert Joseph Silveira Jr. foi considerado um suspeito do assassinado. Sem sucesso, nada foi comprovado e a cabana 28 foi destruída em 2004, juntamente com qualquer pista sobre o crime.

Entrada do Keddie Resort / Crédito: Divulgação 

 

Já em 2008, Marilyn Smartt, mãe de Justin, afirmou — após a morte de seu marido — que suspeitava que ele e um amigo, John Boubede haviam cometido os assassinatos do dia 11 de abril de 1981.

A mulher alegou que havia deixado Martin e Boubede em um bar às 23h. Por volta das 2h da madrugada, ela acordou e encontrou os homens no fogão a lenha de sua residência. Segundo Marilyn, a ação foi um tanto quanto suspeita, já que eles queimavam um item desconhecido.

Diante as acusações, o xerife Doug Thomas afirmou que já havia investigado Martin, e que o homem havia passado no teste detector de mentiras. No entanto, Boubede não havia prestado depoimento, já que foi a primeira vez que seu nome apareceu como um dos suspeitos. Ao procurar pelo homem, a polícia descobriu que ele havia morrido em 1988, o que resultou novamente num crime sem solução.

Anos depois, em 2016, foi encontrado um martelo semelhante àquele que Martin havia dito que tinha perdido. O objeto estava em um lago local e foi levado até o investigador Mike Gamberg. Para o profissional, haviam colocado o utensílio intencionalmente naquela área.

Mesmo sem um norte, um artigo publicado pelo The Sacramento Bee em 2016 revelou uma carta escrita por Martin à sua esposa. Nela, o homem escreveu: "paguei o preço do seu amor e agora o comprei com a vida de quatro pessoas".

No mesmo ano, Gamberg afirmou que não havia admitido aquela carta como evidência. Após a escritura ser compartilhada por meio do jornal, um conselheiro de Martin afirmou que o homem havia admitido os assassinatos de Glenna e Tina, e que a garota havia sido morta para impedir que ele fosse identificado.

Dois anos depois, o detetive informou que o DNA encontrado em um pedaço de fita era correspondente a um suspeito que estava vivo, mas nada foi concluído.


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