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Canibalismo e desespero: Roberto Canessa, um dos sobreviventes da Tragédia nos Andes

O médico estava entre as 16 pessoas que sobreviveram à trágica queda do Voo Força Aérea Uruguaia 571

Penélope Coelho Publicado em 30/06/2020, às 16h00

Roberto Canessa, em 1974
Roberto Canessa, em 1974 - Wikimedia Commons

Um dos episódios mais famosos envolvendo acidentes aéreos aconteceu em uma sexta-feira, no dia 13 de outubro de 1972. Um avião fretado que transportava 45 pessoas, incluindo um time inteiro de rúgbi, seus amigos, alguns familiares e a equipe técnica, caiu na Cordilheira dos Andes, na América do Sul.

Nessa catástrofe conhecida como Tragédia dos Andes, sobreviver foi algo extremamente difícil. Algumas pessoas morreram na queda, enquanto outras não aguentaram as condições climáticas e a fome, por isso, também acabaram falecendo. Roberto Canessa foi um dos passageiros do voo, e uma figura vital para que os sobreviventes fossem encontrados, mesmo depois de mais de dois meses do acidente.

Aeronave do acidente / Crédito: Wikimedia Commons

 

O papel de Roberto

Roberto Jorge Canessa Urta nasceu em 17 de janeiro de 1953, no Uruguai. Na época da tragédia, aos 19 anos, o garoto tinha acabado de começar seus estudos para se tornar um médico. Na ocasião, o jovem era um dos membros da seleção uruguaia de rúgbi, e assim como os outros jogadores voava para realizar uma partida no Chile.

Acredita-se que por um erro de comunicação entre a central e os pilotos, o comandante acabou entrando em uma passagem entre as montanhas que estava coberta de nuvens, devido ao vento extremamente forte, a aeronave não aguentou e colidiu de encontro ao chão.

Das 45 pessoas que estavam a bordo, 29 permaneceram vivas após a queda, entretanto, durante o longo período de espera de um resgate, mais passageiros morreram. Sobraram apenas 16 pessoas que tiveram que lutar muito para sobreviver, Roberto foi uma delas.

Seu papel foi importante, já que pelo seu prévio conhecimento médico, o homem pôde orientar seus colegas a conseguirem manter o calor para não morrerem congelados, no frio dos Andes.

No início, as expectativas de serem encontrados estavam altas, o time sobreviveu com o pouco de suprimento que conseguiram encontrar nos destroços do avião. Mas, logo perceberam que se quisessem continuar vivos, teriam que tomar uma atitude extrema.

De acordo com o livro, The Go Point: When It's Time to Decide: Knowing What To Do And When To Do it, de Michael Useem, Roberto pode ter sido um dos passageiros que fizeram a sugestão de comer a carne daqueles que morreram no acidente para que conseguirem permanecer vivos.

Fato é que isso realmente aconteceu, para não morrerem de fome, os sobreviventes se viram obrigados a consumir carne humana — que havia sido preservada por causa da neve. Mesmo que no início, a maioria tenha ido contra, não houve outra saída, o canibalismo foi um dos maiores marcos dessa história.

O resgate

Quase dois meses depois da queda, os tripulantes já não tinham mais esperanças de serem encontrados em meio às montanhas, no mundo exterior as buscas já haviam sido dadas como encerradas. O protagonismo de Canessa continuou quando ele e outro passageiro, Fernando Parrado, decidiram buscar ajuda.

Parrado (esquerda) e Canessa/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao perceberem que um resgate não chegaria ali tão cedo, os jovens tomaram à frente da situação e colocaram a vida em risco ao saírem em uma longa caminhada em busca de qualquer ajuda. Motivado pela vontade de se reencontrar com a mãe e a namorada, o doutor não mediu esforços para conseguir salvar a si mesmo e seus colegas.

Durante dez dias, os amigos andaram sem direção entre as montanhas, até que finalmente se depararam com alguns pastores que estavam em uma área mais afastada da cordilheira. Depois de 72 dias desde a fatídica queda, encontrar passageiros vivos foi uma verdadeira surpresa.

Os dois foram resgatados e nos dias seguintes, o mesmo aconteceu com os outros sobreviventes, todos foram encaminhados para hospitais em Santiago, no Chile, apresentando quadros de graves de desidratação, machucados e com fraturas nos ossos.

Legado

Essa história inspirou diversas obras de ficção, incluindo o filme Alive (1993), onde Roberto é interpretado pelo ator Josh Hamilton. Mesmo depois de ter vivido esse terrível episódio, o médico não se deixou abalar.

Canessa não abandonou o rúgbi e continuou jogando até o ano de 1979. Atualmente, ele é casado com aquela que foi sua namorada na época do acidente, Laura Surraco. O casal tem dois filhos.

No ano de 1994, Roberto chegou até a iniciar uma carreira política, candidatando-se para a presidência do Uruguai, mas, perdeu a disputa para Julio María Sanguinetti. Hoje em dia, o homem atua como médico, sua especialidade é a cardiologia pediátrica. Para continuar contando sua impressionante história para o mundo, Roberto Canessa também se tornou um palestrante motivacional.


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Milagre nos Andes: 72 dias na montanha e minha longa volta para casa, de Nando Parrado e Vince Rause (2006)https://amzn.to/2MM2oc6

Alive: The Story of the Andes Survivors, de Piers Paul Read (2016) - https://amzn.to/31tyLBT

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