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Cinco episódios em que impérios foram derrotados

Nos últimos 200 anos, algumas potências penaram para manter o domínio sobre suas colônias

Henri W. Arthur // ED. 84, 2010 Publicado em 19/12/2021, às 08h00

Representação da Rebelião Indiana de 1857
Representação da Rebelião Indiana de 1857 - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Desde o século 19, quando as potências europeias aceleraram a criação de colônias pelo mundo, a História ensina uma lição: dominar outra nação é difícil e caro. “Tradicionalmente, impérios enviam homens para controlar os colonizados, definidos como inferiores e incapazes de governar”, diz a historiadora Catherine Hall, professora da University College de Londres e autora de livros sobre o imperialismo de seu país.

No passado, nações como o Reino Unido, a França e a Itália repartiram a África quase inteira entre si e investiram no Sudeste Asiático e em outras regiões do Oriente. A maioria dos territórios dominados no século 19, no entanto, conquistou a independência mais tarde. Mas, até hoje, o mapa-múndi guarda como cicatriz dezenas de estilhaços geográficos daquela época.

A maior fronteira territorial da França, por exemplo, não é com a Espanha, mas com o Brasil — a quase 7 mil km de distância. Isso, graças à Guiana Francesa, que foi ocupada no século 17 e é um dos nove territórios ainda hoje mantidos pelos franceses. No fim das contas, os dominadores podem até vencer e sustentar seus domínios por décadas a fio, mas nunca sem antes enfrentarem árduas batalhas.

1. Derrota humilhante

Estados Unidos x Cuba

Em 1898, os EUA venceram a Guerra Hispano-Americana, que tiraria da Espanha Filipinas, Porto Rico e Cuba (que continuaria dependente dos americanos). A situação mudou em 1959, quando Fidel Castro chegou ao poder e nacionalizou bens estrangeiros. Em 1961, veio o troco americano. Numa tentativa de reverter a situação, a CIA lidera uma derrota simbólica: o fracasso na invasão à baía dos Porcos.


2. Monarquia forçada

França x México

Em 1861, o presidente Benito Juarez suspendeu o pagamento da dívida externa e enfureceu Espanha, França e Reino Unido, seus credores. As potências se uniram, entraram no México e instauraram a monarquia. Em 1866, a França saiu em retirada, mas caiu sob ataques. O rei Maximiliano I (indicado por Napoleão III) tentou fugir, mas foi capturado e executado.


3. A vitória armada

Japão x Coreia do Norte

Em 1853, os Estados Unidos invadiram o Japão e forçaram sua abertura econômica. Dezesseis anos depois, o país iniciava sua própria expansão, chegando a derrotar a Rússia e a China, invadir a Manchúria e ocupar a Coreia.

Os japoneses se tornariam, assim, os senhores do Pacífico — até perderem a Segunda Guerra Mundial. Nesse meio tempo, o Exército Popular da Coreia resistiu bravamente à ocupação. Até hoje, os norte-coreanos celebram a resistência armada.


4. Banho de sangue

Reino Unido x Índia

Em 1857, os soldados indianos a serviço da Companhia Britânica das Índias Orientais mataram os europeus de Meerut e massacraram ocidentais e cristãos de Déli. Os britânicos demoraram meses para contê-los no episódio que ficou conhecido como a Rebelião Indiana. No ano seguinte, assumiram o controle da Índia, que conquistou sua independência em 1947, com a desobediência pacifista de Mahatma Gandhi.


5. Orgulho Africano

Itália x Etiópia

No século 19, a Itália ocupou a Eritreia e a Somália. Para completar o domínio sobre a região do Chifre africano, faltava apenas o milenar reino da Etiópia. Em 1896, o país invadiu o território etíope. Inexperientes e mal equipados, os italianos foram massacrados por um exército cinco vezes maior. E a Etiópia se manteve como a única nação da África a não ser colonizada.