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Conflito sangrento: Há 151 anos, tropas brasileiras derrotavam o Paraguai na Batalha do Avaí

Definindo os rumos da Guerra do Paraguai, essa disputa envolveu mulheres e crianças nas frentes de batalha

Joseane Pereira Publicado em 11/12/2019, às 06h00

Batalha do Avaí, de Pedro Americo, no Museu Nacional de Belas Artes
Batalha do Avaí, de Pedro Americo, no Museu Nacional de Belas Artes - Wikimedia Commons

Em dezembro de 1868, o maior conflito armado entre países da América do Sul estava chegando ao fim. A Guerra do Paraguai, travada entre esse país e o eixo Brasil-Uruguai-Argentina, ocorreu durante seis anos de intensos conflitos — que terminaram deixando o Paraguai, potência econômica da época, devastado.

A GRANDE BATALHA

Ocorrida no contexto da Dezembrada — conflitos vitoriosos liderados pelo Duque de Caxias — a batalha do Avaí foi travada na madrugada de 11 de dezembro de 1868. Um dia antes, cerca de 19 mil soldados liderados por Caxias acamparam em território paraguaio, junto a 26 canhões e três mil cavalos, se preparando para tomar as cidades de Angostura e Villeta.

Ao amanhecer, Caxias ordenou que as tropas marchassem para Villeta. E foi nesse trajeto que eles se depararam, na ponte sul do riacho do Avaí, com cinco mil combatentes paraguaios e seus 18 canhões, liderados pelo general Bernardino Caballero. Apesar de estarem em seu próprio território, os paraguaios não tiveram muitas chances no conflito.

Onze estandartes inimigos foram capturados, para simbolizar a vitória brasileira, e 2 mil paraguaios foram feitos prisioneiros. Apenas 100 paraguaios, entre eles o general Caballero, conseguiram escapar com vida da batalha — e no lado brasileiro, apenas 300 pessoas morreram. 

QUADRO DE PEDRO AMÉRICO

A Batalha do Avaí, que definiu os rumos da Guerra do Paraguai, ficou eternizada pelo pintor brasileiro Pedro Américo — uma escolha perfeita para ilustrar as glórias do Brasil durante o Segundo Império. Entretanto, é importante observar a pintura com cautela. Segundo a autora Lilia Schwarcz, "A tela é importante como representação da identidade da nação. É um desses casos em que a iconografia assume o lugar de documento, e não de mera ilustração".

Com 10 metros de comprimento por 6 de largura, essa gigantesca obra fortalece a ideia de que o exército civilizado do Brasil estava lutando contra paraguaios selvagens, que apareciam com os pés descalços e sem farda.

Mulheres e crianças também compõem a cena, combatendo ou simplesmente fugindo da guerra, e a presença de negros no exército brasileiro escancara as contradições da época: mesmo lutando lado a lado com soldados brancos, eles continuavam sendo escravos.


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