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Hatfield vs. McCoy: A brutal e sangrenta rivalidade entre duas famílias dos EUA

Desde o século 19, as duas famílias não se bicam. Conheça as origens de um dos maiores conflitos familiares do país

André Nogueira Publicado em 01/01/2020, às 08h00

Membros do Hatfield e do McCoy
Membros do Hatfield e do McCoy - Wikimedia Commons

Entre as colinas do sul da Virgínia Ocidental, e também no leste do Kentucky, uma disputa familiar se tornou grande ícone do folclore estadunidense. É o caso da briga entre os Hatfield e os McCoy. Os primeiros eram de West Virgínia; os últimos, Kentucky.

A intriga familiar teve início na Guerra Civil e nos laços conflituosos entre os patriarcas William Devil Anse Hatfield e Randolph MacCoy, ambos confederados que participaram da incursão que matou o general Bill France, da União, em 1863. Como reação, cidadãos do Kentucky foram enviados para tomar a tropa de Devil Anse, o que incluía o irmão de Randall, Asa Harmon McCoy.

Região de atuação das famílias / Crédito: Wikimedia Commons

 

Buscando por vingança, Asa acampou em um abrigo de pedra onde o ataque seria realizado. Porém, Devil Anse descobriu o plano e enviou seu tio Jim Vance e Jim Wheeler Wilson (um soldado) para sentenciá-lo. Como consequência, um tiro acabou sendo responsável pela morte de Asa McCoy.

Mas não só nas armas que se sustentava essa intriga: muitos conflitos ocorreram nos tribunais. Na década de 1870, Anse Hatfield entrou numa disputa por terras com o primo de McCoy, Perry Cline. Acabou vencendo e Cline perdeu 5.000 acres de terra.

Dois meses depois, Randall McCoy parou para visitar Floyd Hatfield, primo de Anse, e percebeu que um dos porcos da fazenda possuía a marca dos McCoy na orelha. Hatfield negou a acusação, e acabou levando o conflito para o tribunal, em que Anderson Hatfield (um pregador batista e juiz da paz) foi indicado para resolver a questão.

Os Hatfield ganharam o caso. Bill Staton, sobrinho de Randall e cunhado de uma moça Hatfield, cujo testemunho foi valioso para o júri, foi morto em um tiroteio com membros da família McCoy, que foram presos.

Os homens da famíla Hatfield / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pouco tempo após a morte de Staton, o filho de Devil Anse, Johnse, conheceu a filha de Randall, Roseanna McCoy, em um evento da eleição de 1880. Rapidamente, se tornaram amantes, o que foi desaprovado por Randall McCoy.

Quando Johnse foi à Virginia Ocidental, um bando de McCoys o aprisionou e o levou para a cadeia de Pikeville. Roseanna disse a Devil Anse, que reuniu sua própria equipe para confrontar os McCoys e resgatá-lo. Feito, eles permaneceram separados. Roseanna teria uma filha, que morreu criança, de sarampo. Já Johnse se casou quatro vezes, incluindo com Nancy McCoy.

Outras brigas

Em 1882, em dia de eleição em Blackberry Creek, houve uma briga entre Ellison Hatfield e Tolbert McCoy, sendo que o último recebeu apoio dos irmãos Pharmer e Randolph Jr. munidos de facas. Acabou que Pharmer McCoy atirou em Ellison para matar.

Bad Frank Phillips / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como vingança, Anse Hatfield ordenou que a polícia levasse os irmãos à cadeia. Porém, eles passaram a primeira noite na casa de Floyd McCoy, onde comeram e mantiveram contato com Blackberry. Davil Anse descobriu e chegou lá na manhã seguinte, sentenciando os irmãos McCoy: seu bando de mais de 20 familiares executou os assassinos de Ellison.

Na esperança de não deixar nenhuma testemunha, os Hatfields invadiram a cabana de McCoy na manhã de Ano Novo de 1888. Seguiu-se um tiroteio, matando a filha de Randolph McCoy, Alifair, e o filho Calvin. Depois, queimaram a estrutura. Randolph, sua esposa Sarah e os filhos restantes escaparam.

Esses brutais assassinatos obrigaram o governador do Kentucky, Simon Buckner, a convocar o oficial Frank Phillips, com seus 38 homens, para prenderem o bando Hatfield e estipularem uma recompensa por suas cabeças. Muitos deles foram capturados e mortos. Em janeiro de 1888, houve um grande tiroteio entre o oficial e os homens de Devil Anse.

A animosidade entre as famílias não durou muito tempo além da morte dos patriarcas, nos anos 1920. Depois disso, as intrigas foram se dissipando e cada um foi para o seu lado. Em 1979, quase como nostalgia, membros de ambas as famílias participaram de um programa televisivo sobre contendas familiares.


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