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Da guerra a superação: Ron Kovic, o homem que inspirou Nascido em 4 de Julho

Inspirado pelo discurso de JFK, Kovic se alistou na Marinha e esteve no Vietnã por duas vezes — mas após passar por uma experiência traumatizante, se tornou importante ativista pela paz

Fabio Previdelli Publicado em 30/08/2020, às 09h00

Ron Kovic (à esqu.) Tom Cruise no filme (à dir.)
Ron Kovic (à esqu.) Tom Cruise no filme (à dir.) - Divulgação

No dia 1º de novembro de 1955, Vietnã do Sul e Vietnã do Norte iniciavam um conflito que duraria duas décadas e que colocaria frente a frente a disputa entre Estados Unidos e União Soviética, no auge da Guerra Fria.

Durante o conflito, que acabou em 30 de abril de 1975, mais de 58 mil americanos morreram e inúmeras outras sobreviveram, mas carregam as marcas do conflito até hoje. Uma delas é de Ron Kovic, que teve sua história retratada no filme Nascido em 4 de Julho (1989), estrelado por Tom Cruise.

Mas por que a história dele é tão importante assim?

Nascido no Wisconsin e criado em Massapequa, Nova York, Ron é o segundo mais velho entre os seis filhos do croata Eli Kovic e a irlandesa Patricia Lamb. Membro de uma família católica romana, Kovic se inspirou no discurso de John F. Kennedy — “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país” — ao se alistar junto a Marinha dos Estados Unidos. Isso aconteceu após o ensino médio, em setembro de 1964.

Ron Kovic e Tom Cruise / Crédito: Getty Images

 

Designado para o Corpo de Fuzileiros Navais na Carolina do Sul, passou doze semanas em um treinamento intenso como recruta. Após alguns anos dentro da Marinha, se ofereceu e foi recruta para ir até o Vietnã, em dezembro de 1965.

No ano seguinte, se uniu ao Primeiro Batalhão de Reconhecimento, com o qual participou de 22 patrulhas ao longo do território inimigo. Em janeiro de 1967, após uma turnê de 13 meses, enfim voltou para casa, mas poucos meses depois, se ofereceu para retornar ao Vietnã pela segunda vez.

A partir daí sua vida mudou completamente. Primeiro, ele matou, acidentalmente, um de seus fuzileiros navais enquanto seu pelotão sofria uma emboscada. Depois, durante uma missão que liderava um ataque a uma aldeia ao norte do Rio Cua Viet, na Zona Desmilitarizada, acabou sendo baleado.

Um dos tiros pegou no seu pé direito, o deixando impossibilitado de encostar o calcanhar no chão. Posteriormente, foi alvejado outra vez, agora em seu ombro direito, o que ocasionou um colapso pulmonar e uma lesão medular — o paralisando do peito para baixo.

Em um primeiro momento, após a segunda fratura, outro fuzileiro tentou salvá-lo, mas acabou tomando um tiro no coração e morreu. Em sequência, outro consegui o ajudar até os cuidados intensivos em Da Nang. Ron passou uma semana na enfermaria, mas os danos em suas funções motoras eram irreparáveis.

O ativismo pela paz

Após voltar para casa, Ron foi condecorado com a Estrela de Bronze com "V" e o Coração Púrpura. Além disso, se tornou um importante ativista pela paz. Sua primeira participação em uma manifestação aconteceu em maio de 1970, onde discursou em Long Island, Nova York. Ao longo dos anos, pelo seu ativismo, acabou sendo preso 12 vezes.

A primeira delas aconteceu na primavera de 1971, no condado de Orange, na Califórnia. Na ocasião, ele disse que os jovens enviados para o Vietnã eram inadvertidamente “condenados à morte”, ou a serem feridos e mutilados em um conflito que, para ele, era “imoral e sem sentido”.

Ron Kovic durante protesto na convenção nacional democrata / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na introdução de seu livro Born on The Fourth July, publicado em 2005, declarou: "Eu queria que as pessoas entendessem. Eu queria compartilhar com eles abertamente e intimamente o que eu tinha sofrido. Eu queria que eles soubessem o que realmente significava estar em uma guerra, e ser baleado e ferido, saber o que é lutar pela vida em uma unidade de terapia intensiva”.

“Eu queria que as pessoas soubessem mais sobre o estado dos hospitais em que eu passei, sobre por que eu tinha me tornado contra a guerra, por que eu tinha me tornado mais e mais comprometido com a paz e não com a violência. Eu tinha sido espancado pela polícia e preso doze vezes por protestar contra a guerra e eu passei muitas noites na cadeia em minha cadeira de rodas. Fui chamado de comunista e traidor, simplesmente por tentar dizer a verdade sobre o que havia acontecido naquela guerra, mas mesmo assim, eu sempre me recusei a ser intimidado”, concluiu.


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