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De colírio parisiense a atentado ao pudor: a controversa Brigitte Bardot

Considerada sex symbol entre 1950 e 1970, a atriz deixou o universo cinematográfico de cabeça para baixo com seus escândalos e atuações extravagantes

Pamela Malva Publicado em 26/03/2020, às 17h00

Brigitte Bardot, a icônica atriz francesa
Brigitte Bardot, a icônica atriz francesa - Wikimedia Commons

Além dos conversíveis e das estampas de bolinhas, artistas considerados símbolos sexuais definem o universo cinematográfico dos anos 1950. Marilyn Monroe, Audrey Hepburn e Elvis Presley, por exemplo, eram alguns dos colírios da época. 

Enquanto grandes nomes tomavam conta de Hollywood, uma jovem francesa prometia reverter todos os padrões, com sua atuação de ponta e sua rebeldia frente aos bons costumes daquela década.

Brigitte Bardot, aos 17 anos, já fazia muito mais barulho do que alguns dos maiores personagens de Hollywood e sua simples presença já levava jornalistas à loucura. Mais do que um sex symbol, a garota era o sonho de alguns e o pesadelo de muitos.

Filha de um típico casal da classe média, B.B., como era conhecida, nasceu em setembro de 1934, em Paris. Apesar de seu berço de ouro, em plena burguesia parisiense, a menina muitas vezes sentia-se sozinha e frustrada.

Brigitte Bardot ainda jovem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por mais que tentasse ser autêntica, seu pai sempre exigia que ela fosse quem não era: uma jovem com padrões comportamentais afiados, dotada de boas maneiras e sempre vestida com as roupas julgadas apropriadas. Com pais tão restritos, a menina teve poucos amigos na infância.

Veia artística

A única parte que ninguém poderia tirar de Brigitte, ela sentia, era seu dote artístico. Ainda adolescente, a jovem era apaixonada por dança e treinava balé sempre que podia, em instituições da capital francesa.

Em 1949, com o incentivo de sua mãe, B.B. começou a trabalhar como modelo, aos 15 anos de idade. Seus cabelos loiros atraiam quem quer que olhasse para ela e, com o rosto perfeito e a atitude correta, Brigitte foi capa da revista Elle francesa, em 1950.

Estampada em dezenas de bancas parisienses, B.B. viu a porta do cinema se abrir conforme sua fama ia crescendo. Ao 17 anos, ela estreou no cinema francês. Já em seu segundo filme, Brigitte enfureceu seu pai ao aparecer apenas de biquíni na tela. Ele chegou a abrir um processo na justiça contra a cena, mas foi negado.

Brigitte Bardot de biquíni, aos 18 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Até o Festival de Cannes de 1953, a atriz em ascensão já tinha gravado 17 longa-metragens. Em 1956, então, foi a vez dos Estados Unidos testemunharem o furacão que era Brigitte Bardot, atuando em E Deus Criou a Mulher.

Como era esperado, a atriz logo dominou o cenário norte-americano. Suas cenas sensuais fizeram barulho e chamaram atenção do público. Na época, o filme até foi censurado em diversos estados dos EUA, por seu alto teor de erotismo.

Até hoje, uma das cenas personificadas por Brigitte é considerada como uma mas mais eróticas da história do cinema. No fragmento, a jovem apenas dança descalça em cima de uma mesa — mas eram os anos 1950, afinal.

A polêmica Brigitte Bardot com fãs ao fundo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Novata nas manchetes

Com seus vários filmes polêmicos, B.B. logo foi considerada um dos maiores símbolos sexuais da época, competindo com Marilyn Monroe, por exemplo. A única diferença entre as duas era que, na Hollywood moralista da época, Marilyn fazia mais sucesso com suas encenações ao mesmo tempo sensuais e contidas.

No total, Brigitte atuou em cerca de 50 filmes. Um deles foi indicado ao Oscar de melhor produção estrangeira, enquanto a própria B.B. foi indicada ao BAFTA de Melhor Atriz Estrangeira. No contexto puritano da época, a artista era um símbolo de feminilidade e sensualidade, que falava abertamente sobre libertação sexual.

No filme Se Don Juan Fosse Mulher, por exemplo, Brigitte e Jane Birkin fizeram história, ao protagonizar um beijo lésbico, em 1973. Com tantos escândalos, era óbvio que B.B. seria perseguida por jornalistas e fotógrafos o tempo todo. Mas ela não gostava muito da vida iluminada por holofotes.

Brigitte Bardot atualmente, já mais velha / Crédito: Divulgação

 

Chega, é o fim

Durante os anos nos quais foi considerada um ícone francês, Brigitte perdeu toda a sua privacidade. Seus vários casamentos, a gravidez indesejada, os problemas pessoais: era tudo noticiado, o tempo todo. Ela já não aguentava mais.

Assim, em 1973, B.B. colocou um ponto final em sua carreira e mudou-se para o sudoeste da França. Uma vez estrela sensual, ela agora vivia reclusa. A artista nunca mais apareceu em um filme, virou vegetariana e passou a lutar pelos direitos dos animais.

Hoje, aos 85 anos, Brigitte coleciona uma lista de processos, que conseguiu por diversas falas de extrema direita e por incitar ódio racial. Já considerada um atentado ao pudor, B.B. agora se mostra bastante conservadora, contrária à homossexualidade e à qualquer estrangeiro que apareça em sua porta.


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