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Depressão e isolamento: 5 curiosidades sobre a angustiante morte de Santos Dumont

Entristecido ao ver sua invenção sendo utilizada em confrontos, o pai da aviação teve um trágico fim quando resolveu tirar a própria vida

Penélope Coelho Publicado em 16/09/2020, às 16h30

Santos Dumont em 1902
Santos Dumont em 1902 - Wikimedia Commons

Em meio a inúmeras polêmicas sobre quem inventou e patenteou um dos mais importantes meios de transporte do mundo, o nome de Alberto Santos Dumont está intrinsicamente envolvido quando o assunto é o nascimento da aviação.

Descrito como um gênio, o homem passou por muitos problemas nos últimos anos de sua vida. Conhecido como o pai da aviação, Dumont foi diagnosticado com esclerose múltipla e sofria de depressão.

Teorias apontam que ele estava chateado ao ver que sua invenção estava sendo usada em guerras, fazendo com que diversas pessoas morressem. Desiludido com seu propósito, o homem tirou a própria vida em 23 de julho de 1932, deixando inúmeros admiradores até hoje.

Confira 5 fatos sobre esse triste episódio.

1. Doença

Para falar sobre o fim da vida do aeronauta nascido em 1873, em Minas Gerais, é preciso voltar no tempo e entender a situação em que Santos Dumont estava alguns anos antes de seu falecimento.

Retrato de Alberto / Crédito: Domínio Público 

 

Na década de 1910, a saúde do pai da aviação começou a apresentar alguns problemas. O homem foi diagnosticado com esclerose múltipla — uma doença que causa distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo, levando ao comprometimento da coordenação motora.

Após sofrer um acidente aéreo em 4 de janeiro de 1910, Alberto precisou se ausentar de sua função como aeronauta. O que consequentemente, fez com que ele diminuísse consideravelmente o convívio social com outras pessoas.


2. Refugio no Brasil e Depressão

Com a piora de sua saúde, em 1915, Santos decidiu retornar ao seu país de origem, já que por muitos anos morou na Europa. Com a volta, o homem buscou refúgio em sua casa em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

A residência foi batizada de Encantada e é um local conhecido por suas diversas inovações durante a construção, todas criações do próprio Dumont. Atualmente, a antiga casa que foi refúgio para o aeronauta em um período difícil, dá lugar a um museu na cidade.

Na mesma época em que decidiu retornar ao Brasil, a saúde mental do inventor não estava bem, passava por uma profunda depressão. Acredita-se que isso tenha acontecido, pois, Dumont se sentia culpado pelas atrocidades que aconteciam no ar, em meio aos conflitos e guerras que utilizavam sua mais importante invenção: o avião.


3. Conflitos no ar

Conhecido como o primeiro aeronauta que se posicionou contra o uso de aviões de guerra, em janeiro de 1926, o homem fez um pedido para a Liga das Nações e apelou para que as aeronaves parassem de ser usadas como armas, contudo, seu pedido foi negado. O inventor chegou até a oferecer dinheiro para quem escrevesse o melhor livro sobre a o impedimento dessa prática na época. Mesmo se esforçando, Dumont não foi capaz de impedir aquilo que já estava se tornando algo corriqueiro.

Enterro de Santos Dumont / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao observar sua invenção sendo usada em combates, durante a Revolta de 1932, em São Paulo, o homem se viu desolado e sucumbiu a depressão. Testemunhas relatam que os bombardeios foram vistos pelo aeronauta do hotel em que ele estava instalado na ocasião, o Grand Hotel La Plage, no Guarujá, litoral de São Paulo.


4. O suicídio

Em 23 de julho de 1932, Alberto não desceu para tomar café da manhã no hotel como de costume. Naquele dia, na verdade, um dos maiores cientistas do século 20 tirava a própria vida, aos 59 anos de idade.

Em meio à angústia, Dumont se enforcou com a própria gravata e não deixou nenhum bilhete ou carta de despedida. Além de sua contribuição para a aeronáutica, ele também é considerado responsável pela popularização do relógio de pulso no século 20 e por muitas outras inovações.


5. O coração do aviador

O corpo de Alberto foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro e sua morte envolve um episódio curioso: o médico Walther Haberfield removeu secretamente o coração do inventor e preservou o órgão em formol.

Por 12 anos, Haberfield manteve a história em segredo, mas se arrependeu e demonstrou o desejo de devolver o coração para a família do inventor. Por sua vez, os familiares não aceitaram a devolução, com isso, o doutor doou o órgão para o governo brasileiro e atualmente o coração está exposto no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro.


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