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Genocídio, corrupção e canibalismo: 8 ditadores que quase ninguém conhece

Responsáveis por grandes atrocidades dentro de seus país, esses tiranos já dominaram nações inteiras — no entanto, seus crimes são pouco lembrados em grande parte da história

Letícia Yazbek Publicado em 05/10/2020, às 15h44

Yakubu Gowon (esq.), Gnassingbé Eyadéma (cen.) e Yahya Jammeh (dir.)
Yakubu Gowon (esq.), Gnassingbé Eyadéma (cen.) e Yahya Jammeh (dir.) - Montagem com imagens Wikimedia Commons

Ditadores entraram para a História pelas atrocidades que cometeram e, por isso, são conhecidos em todo o mundo. No entanto, a lista de homens cruéis que já dominaram nações inteiras é enorme, e muitos deles não costumam ser lembrados. Conheça alguns deles:

1. Mengistu Haile Mariam

Chefe de estado da Etiópia de 1974 a 1991, Mengistu chegou ao poder por meio de um golpe que destronou o imperador Haile Selassie e criou um governo socialista. O governo de Mengistu foi marcado pela perseguição à oposição, fome coletiva e crimes contra os direitos humanos.

Crédito: Reprodução

 

Responsável por 725.000 a 1.200.000 de mortes, ele foi culpado de genocídio e crimes contra a humanidade em 2006. Aos 82 anos, encontra-se exilado no Zimbábue.


2. Hissène Habré

O militar Hissène Habré foi presidente do Chade de 1982 a 1990. Apoiado pelos governos da França e dos Estados Unidos — que lhe forneceram armas, apoio financeiro e treinamento militar —, derrubou o presidente eleito Goukouni Oueddei.

Habré cometeu genocídios contra tribos e etnias que lhe faziam oposição. Foi acusado de estupro, escravidão sexual e desaparecimentos, além da morte de 40 mil pessoas. Após ser deposto, foi para o Senegal, onde foi julgado e condenado à prisão perpétua.


3. Enver Hoxha

Primeiro chefe do governo socialista da Albânia, Hoxha governou durante quatro décadas, de 1941 a 1985. Seu governo restringiu o exercício das liberdades individuais — as pessoas precisavam de autorização para comprar bens como carros, geladeiras e televisão.

Crédito: Reprodução

 

 

Durante o governo de Hoxha, um a cada três albaneses chegou a cumprir pena em campos de trabalho forçado ou foi interrogado e torturado pela polícia secreta. Nos tribunais, o réu não tinha direito à defesa, e muitas vezes seus parentes também eram condenados à prisão, considerados inimigos do estado.


4. Yakubu Gowon

Gowon se tornou chefe de estado da Nigéria em 1966, depois de um golpe militar, e permaneceu no poder até 1975, quando foi derrubado por outro golpe. Quando poços de petróleo foram descoberto no delta do Rio Níger, grupos separatistas iniciaram uma guerra, com o objetivo de formar a República de Biafra.

O ditador apostou em ações controversas para tentar dar fim à guerra, e foi acusado de bombardear áreas residenciais e missões humanitárias. Suas decisões resultaram na morte de mais de 1 milhão de pessoas.


5. Jean-Bédel Bokassa

Foi o segundo presidente da República Centro Africana, de 1966 a 1976, quando se declarou Imperador Bokassa I, governando até 1979. A cerimônia de coroação foi extravagante e custou mais de 20 milhões de dólares, o que representava um terço do orçamento do estado.

Crédito: Reprodução

 

 

Seu governo foi marcado pela corrupção e a forte repressão política, além de crimes como traição assassinato e até canibalismo. Certa vez, mandou prender 180 crianças que protestaram por ter que comprar uniformes caros, da fábrica de uma das esposas de Bokassa. Ele e seus guardar torturaram a mataram várias dessas crianças.

Em 1980, foi preso e julgado por crimes como traição, assassinato e canibalismo. Em 1993, o presidente André Kolingba declarou anistia geral a todos os presos, e Bokassa foi solto. Morreu vítima de um ataque cardíaco, em 1996, aos 75 anos.


6. Gnassingbé Eyadéma

Militar do Togo, foi presidente de seu país de 1967 até 2005, quando morreu e foi sucedido por seu filho. Chegou ao poder após um golpe militar organizado por veteranos de guerra que foram impedidos de integrar o exército formado pelo primeiro presidente, Sylvanus Olympio.

Eyadéma se vangloriava por ter sido ele a matar Olympio e assumir o poder. Gostava de contar seus feitos e se considerava um super-herói — chegou a escrever uma revista de história em quadrinhos retratando sua vida.


7. Emomali Rahmonov

Presidente do Tadjiquistão desde 1992, Rahmonov é um dos tiranos atuais menos conhecidos. Seu governo é marcado por polêmicas, medidas extremas e corrupção.

Em 2012, quando o país passou por uma grave escassez de alimentos, o ditador culpou os cidadãos por armazenar pouco e comer demais. Depois, disse que os culpados eram os camponeses, que não haviam seguido suas instruções de cultivo.

Crédito: Reprodução

 

Rahmonov bloqueou o YouTube em todo o país após um vídeo exibido pela plataforma mostrar um homem bêbado tentando cantar em um karaokê e dançar em uma festa de casamento.


8. Yahya Jammeh

Jammeh é o presidente da Gâmbia desde 1996 — ele foi reeleito em 2001, 2006 e 2011, mas perdeu as eleições em 2016. No entanto, afirmou não reconhecer os resultados e se recusou a ceder o poder.

Seu governo é marcado pela repressão à mídia e aos partidos de oposição. Cidadãos são presos e torturados sob ordem de Jammeh, que têm espiões espalhados por toda a parte. Além disso, o ditador já comparou a homossexualidade ao satanismo, e prometeu decapitar qualquer homossexual que ousar entrar no país.


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