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Doses de vingança: Florence Maybrick, a mulher acusada de matar o marido com arsênico

Apesar das poucas provas, a suposta criminosa foi condenada à morte e, em seguida, à prisão perpétua em plena Era Vitoriana

Pamela Malva Publicado em 23/06/2020, às 19h30

Retrato de Florence Maybrick
Retrato de Florence Maybrick - Wikimedia Commons

Em meados do século 19, o arsênico era um dos remédios mais requisitados nas farmácias. Vendida em cada esquina, no entanto, a substância também era uma das formas mais eficazes de se matar alguém.

Por isso, inclusive, a grande maioria dos assassinatos da Era Vitoriana foram cometidos com a ajuda do arsênico. Seja misturado em comidas e bebidas, ou administrado em excesso de propósito, a substância era uma arma fatal.

Tão mortal quanto qualquer outro veneno, o arsênico foi a principal prova conta Florence Maybrick em meados de 1889. Acusada de matar seu marido com a droga, ela teve sua vida destruída pelo medicamento.

Rascunho de retrato de Florence Maybrick / Crédito: Wikimedia Commons

 

Navio do amor

Nascida no Alabama, Florence Chandler era uma garota sonhadora, que ficou bastante abalada quando seu pai, o ex-prefeito de Mobile, morreu. O luto, no entanto, não impediu que ela recebesse seu novo padrasto de braços abertos quando sua mãe casou-se pela terceira vez, agora com um oficial do exército alemão, em 1872.

Estabelecidas nos Estados Unidos há anos, mãe e filha tiveram de se mudar para a Europa e, assim, embarcaram em um navio para o Reino Unido. Dona de olhos ternos e um rosto gentil, Florence, aos 19 anos, conquistava a todos com um sorriso.

Foi na embarcação que a jovem conheceu James Maybrick, um comerciante de algodão de 23 anos, que viria a ser seu marido. Naquela época, contudo, a relação foi vista com escárnio — a diferença de idade era considerada um grande problema.

Um amor resistente

Apesar dos olhares acusatórios, Florence e James decidiram se casar assim que ancoraram em Londres. Dessa forma, em julho de 1881, os jovens assinaram o sagrado matrimônio e compraram uma casa em Liverpool.

Uma vez instalados no subúrbio, os dois chamaram bastante atenção por suas idades e sua paixão aparentemente interminável. Eram um casal imponente, duas pessoas felizes, bem-sucedidas e apaixonadas.

Por trás das cortinas, no entanto, Florence enfrentava alguns obstáculos difíceis de superar. Usuário regular de arsênico e de medicamentos pesados, James tinha diversas amantes — uma delas, inclusive, gerou cinco filhos do vendedor infiel.

Cada vez mais infeliz com seu casamento, a própria Florence entrou em diversos relacionamentos adúlteros. O mais duradouro deles, com Alfred Brierley, desencadeou uma sequência de diversas brigas e culminou no pedido de divórcio.

Retrato de James Maybrick / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bebida fatal

Em maio de 1889, James Maybrick faleceu misteriosamente. Desconfiados, os irmãos do homem examinaram seu corpo e verificaram que ele tinha leves traços de arsênico no sangue, em uma quantidade pequena demais para causar a morte.

Ninguém soube determinar, no entanto, se James teria tomado o medicamento sozinho, ou se a dose havia sido administrada por outra pessoa. Assim, em abril, Florence foi acusada de tentar matar seu marido com o uso da substância.

O caso ganhou amplitude nacional. De um lado, defensores da mulher não acreditavam que ela estava sendo acusada por um crime que não cometeu. Do outro, o júri sequer permitiu que a defesa de Florence tivesse acesso aos documentos e arquivos do caso.

Ilustração de Florence Maybrick / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma justiça cega

Julgada pelo suposto assassinato em um tribunal de Liverpool, Florence foi considerada culpada e, então, sentenciada à morte. A mídia da época, no entanto, julgava a condenação como um erro judicial e multidões foram às ruas 

Para Henry Matthews, Secretário do Interior, e Chanceler Halsbury, no entanto, o caso era óbvio. Juntos, os dois concluíram que Florence com certeza administrou arsênico ao marido com a intenção de matá-lo. A quantidade de veneno ingerida, no entanto, não foi suficiente para o crime e a substância não foi a causa de sua morte.

Com a mudança nos rumos da investigação, a sentença de Florence foi comutada para prisão perpétua, que ela cumpriu até janeiro de 1904. Naquele ano, a mulher foi solta e, após 14 anos de custódia, conseguiu retornar para os Estados Unidos.

Em continente americano, ela passou a dar palestras sobre possíveis reformas no sistema carcerário e nunca deixou de alegar sua inocência. Morando sozinha, sem seus filhos, Florence Maybrick morreu aos 79 anos, em outubro de 1941.


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