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Eduard Bloch, o médico judeu que cuidou da família de Hitler

Como consequência, Bloch ficou sob proteção especial da Gestapo por ordens de Hitler

Isabela Barreiros Publicado em 12/11/2019, às 15h51

Eduard Bloch, o médico de Hitler e sua família
Eduard Bloch, o médico de Hitler e sua família - Wikimedia Commons

Eduard Bloch era um médico austríaco que atuava em seu consultório particular em Linz, na Áustria. Como muitos judeus na época, sua família era assimilada. No entanto, o caso foi incomum: Bloch foi o profissional que cuidou de Hitler e sua família antes do Holocausto.

Em 1904, Hitler ficou doente após uma doença pulmonar que debilitou sua saúde e fez com que ele ficasse de cama durante um longo período. O médico, quando entrou em contato com a história, não concordou com o diagnóstico — segundo ele, tratava-se apenas de pequenas doenças que limitavam sua saúde. Além disso, ainda afirmou que não tinha nenhuma doença pulmonar.

Assim, a confiança de Hitler em Bloch cresceu. Como não tinham muito dinheiro, o médico cobrava menos pelas consultas e, às vezes, não chegava nem a cobrar. Foi em 1907 que a família do futuro nazista recebeu uma notícia triste: a mãe de Hitler, Klara Hitler, havia sido diagnosticada com câncer de mama. A partir daí, foi iniciado um tratamento difícil, pelo qual Bloch foi responsável.

Klara morreu em 21 de dezembro daquele ano. Aos seus 18 anos, Hitler assegurou sua “eterna gratidão” ao médico judeu. No ano seguinte, ele escreveu-lhe uma longa carta, reverenciando e agradecendo por tudo que havia feito por ele e sua mãe, principalmente.

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Crédito: Wikimedia Commons

Segundo a filha de Bloch, Gertrude, o futuro ditador enviou como agradecimento presentes feitos à mão, como uma grande pintura de autoria própria, visto que ainda tinha o sonho de se tornar artista plástico. Ainda de acordo com Gertrude, o quadro se perdeu com o tempo.

Mas em 1938, a vida dos judeus na Áustria passou a ser colocada em risco. Em outubro do mesmo ano, o consultório de Bloch foi fechado pelas autoridades alemãs e sua filha e seu genro fugiram para o exterior, emigrando para os Estados Unidos. Um ano antes, Hitler havia perguntado sobre o médico, questionando-o sobre seu bem estar e chamando-o de "edeljude" ("nobre judeu").

O austríaco também tinha um grande carinho pela família de Hitler. Assim, escreveu para seu ex-paciente pedindo ajuda por conta do contexto antissemita em que estava inserido, por mais contraditório que isso possa parecer. O nazista atendeu ao pedido e colocou-o sob proteção especial pela Gestapo.

Bloch permaneceu em sua casa até que tudo estivesse certo para sua ida para os Estados Unidos. Ele foi o único judeu em Linz com o status de “protegido”. Sem interferência alemã, ele pôde vender sua casa tranquilamente, ainda pelo valor de mercado, coisa que não acontecia na maioria das casas de judeus.

Em 1940, ele emigrou para os Estados Unidos, vivendo no Bronx, em Nova York. No entanto, ele não podia atuar como médico, pois seu diploma austríaco não era reconhecido no país. Ele faleceu em 1945 aos 73 anos, de câncer de estômago, apenas um mês depois do suicídio de Hitler.


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