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Enfrentando o preconceito: Renée Richards, a primeira transgênero na história do tênis

A ex-tenista conquistou seu espaço no esporte após travar uma luta na Justiça para competir entre as mulheres, tornando-se um exemplo em sua modalidade

Penélope Coelho Publicado em 18/11/2020, às 11h17

Reneé Richards em entrevista no ano de 1976
Reneé Richards em entrevista no ano de 1976 - Divulgação/Youtube/The Robert MacNeil Report

No dia 14 de agosto de 1934, em Nova York, Estados Unidos, nascia Renée Richards, uma pessoa que veio ao mundo em um corpo que não lhe pertencia, e que por alguns anos foi criada como um menino e chamada de Richard Raskins.

Durante muitos momentos de sua vida, Richards sentia que aquele corpo não era seu, até que entendeu que o procedimento de redesignação sexual seria a solução para a angustia que carregava.

Enfrentando o preconceito em plena década de 1970, Renée entrou para a história como a primeira atleta transexual a obter o direito de competir entre as mulheres em âmbito mundial no esporte.

Reneé participando do U.S Open Tennis Championships em 1977 / Crédito: Divulgação/Youtube/ U.S Open Tennis Championships

 

Vida pregressa

Renée nasceu em uma tradicional família rica norte-americana, filha de um cirurgião ortopédico e de uma psiquiatra pioneira. Antes da realização da cirurgia, Richards seguiu o exemplo dos pais na medicina e atuava como oftalmologista.

Contudo, sempre teve no esporte um refúgio e uma paixão. Por isso, era conhecida desde jovem por jogar tênis como ninguém. No ano de 1953, chegou a competir no Torneio Nacional Estadunidense, antes de sua readequação sexual.

Ainda na faculdade, passou a usar roupas femininas. Foi uma fase difícil para atleta. Ela necessitou de ajuda e teve que buscar tratamento para se compreender após apresentar sintomas de depressão e tendência suicida. Já no ano de 1975, depois de ter acompanhamento médico e iniciar a dosagem de hormônios, Reneé passou por sua cirurgia de transição.

No esporte

Em 1976, a tenista estava decidida a voltar a jogar em sua modalidade do coração, dessa vez competindo entre as mulheres. Entretanto, foi incialmente proibida pela congregação de tênis — que na época declarava que a norte-americana poderia apresentar certa vantagem e pediam para que Reneé se submetesse a um teste de verificação de sexo.

Richards decidiu então entrar com um processo na justiça de Nova York pelo seu direito de competir. Em 16 de agosto de 1977, o juiz Alfred Ascione deu seu veredito: "Esta pessoa agora é uma mulher e exigir que Richards passasse no teste corporal de Barr era grosseiramente injusto, discriminatório e uma violação de seus direitos".

Reneé Richards em campo no ano de 1977 / Crédito: Divulgação/Youtube/ESPN

 

Com a decisão, a esportista começou a competir na modalidade feminina de tênis, jogando em grandes torneios regionais, nacionais e mundiais — o que revolucionou a história de um dos esportes mais glamorosos do mundo.

Nos anos em que esteve nas quadras, Renée fez história e seguiu competindo de maneira profissional entre de 1977 e 1982, quando decidiu se aposentar. Na época em que competiu, Richards chegou até mesmo a integrar o top 20 do mundo, no ranking da WTA Finals (torneio de tênis profissional feminino).    

Desde então, Reneé se tornou uma porta-voz dos transexuais e atletas. Através de uma biografia publicada em 1983 "Second Serve: The Renée Richards Story", a ex-tenista narrou sua trajetória de superação e luta. A partir do livro, a saga da atleta se transformou em um filme (com o mesmo título da biografia), lançado em 1986 e dirigido pelo cineasta Anthony Page.

No ano de 2011, a emissora esportiva ESPN também se baseou na história da jogadora para lançar o documentário intitulado Reneé. Atualmente, aos 86 anos de idade, a norte-americana continua sendo lembrada pelos amantes do tênis, por sua importância no esporte.


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