Matérias » Estados Unidos

Entenda o caso Brandon Bernard, homem executado 20 anos após crime

Por que havia uma campanha contra sua execução? E por que as execuções federais voltaram a ser feitas nos EUA após 17 anos de hiatus?

Ingredi Brunato Publicado em 12/12/2020, às 00h00

Fotografia de Brandon Bernard
Fotografia de Brandon Bernard - Divulgação

Dentre as promessas de campanha de Joe Biden, o presidente eleito dos Estados Unidos, esteve a alegação de que o democrata pretendia abolir a pena de morte federal.

No país, os estados possuem relativa independência em suas legislações, de forma que a pena de morte estadual foge da alçada do governo central. 

A reação do governo atual, que é liderado pelo republicano Donald Trump, criou uma situação inédita no sistema judiciário do país: começou a ocorrer uma aceleração das execuções dos presos federais no corredor da morte. 

Esse esforço já resultou em nove execuções após a pena de morte ter sido retomada esse ano, sendo um desses Brandon Bernard, cujo caso, em particular, ganhou grande atenção da sociedade e mídia norte-americana. 

Foi organizada uma campanha (que contou com a presença de pessoas que participaram de sua condenação, inclusive) pedindo pela troca da sentença do preso para “prisão perpétua”.

Apesar de toda essa movimentação civil, todavia, o judiciário estadunidense não mudou sua decisão, e o homem foi morto na última quinta-feira à noite, 10.

Fotografia de Brandon Bernard / Crédito: Divulgação 

  

O crime 

Conforme divulgado pela BBC, Brandon foi condenado 20 anos atrás, quando tinha 18 anos de idade, por envolvimento no sequestro e assassinato do casal Todd e Stacie Bagley em 1999.

Antes da morte, ele explicou que o líder era outro criminoso que também foi sentenciado à pena de morte, Christopher Andre Vialva, então de 19 anos. 

Esse segundo teria sido o responsável não só pelo sequestro, mas também pelos tiros que tiraram a vida do casal. Já Bernard recebeu a tarefa de queimar o carro que tinha os corpos escondidos no porta-malas, o que resultou em seu envolvimento no caso.

A campanha 

Segundo os defensores de uma pena mais branda para o preso, seu envolvimento secundário no crime, assim como suas manifestações de remorso e ainda o comportamento exemplar durante seu período encarcerado deveriam ser o suficiente para reavaliar sua sentença, mudando-a para prisão perpétua. 

A campanha estabelecida em defesa da retirada de Brandon do corredor da morte incluiu diversas figuras relevantes, entre elas cinco dos nove jurados ainda vivos.

Outra pessoa a mudar de opinião em relação à punição merecida pelo preso foi a promotora Angela Moore, que esteve envolvida no julgamento, na época defendendo a sentença de morte. 

Outro argumento a favor da revisão da sentença de Bernard era que no tribunal que o condenou foram ocultadas do júri certas evidências que poderiam ter mudado os rumos de sua pena. 

Todavia, o homem afro-americano foi executado a despeito dos inúmeros apelos. Segundo divulgado pela BBC, suas últimas palavras foram: “Eu sinto muito. Essas são as únicas palavras que posso dizer que captam completamente como me sinto hoje e como me senti naquele dia”.

Fotografia de Brandon Bernard com sua mãe e irmãos / Crédito: Divulgação 

 

Fora de contexto 

Fazia 17 anos que a pena de morte federal não era aplicada, e as nove execuções realizadas até agora em 2020 já ultrapassam o número total que ocorreu de 1896 para cá, configurando um cenário totalmente singular. 

A decisão do governo Trump, dessa forma, acabou se mostrando contra a corrente. Outra prova disso é uma pesquisa da Gallup feita nos EUA em 2019, que descobriu que 60% dos norte-americanos acreditava que a prisão perpétua era uma punição mais adequada para assassinatos. 

Em dezembro, ainda, um grupo de cem promotores e procuradores da Justiça norte-americana se declarou publicamente contra a pena capital, pedindo pelo cancelamento das execuções.

“A pena de morte é aplicada de maneira desigual e arbitrária, é ineficaz em promover a segurança pública e é um desperdício dos recursos dos contribuintes. E seu uso apresenta o risco perigoso de executar uma pessoa inocente. Essas preocupações são especialmente urgentes em meio a uma pandemia global e a pedidos por justiça racial”, escreveu o grupo em um comunicado, ainda segundo divulgado pelo site britânico.


+Saiba mais sobre o sistema prisional por meio de obras disponíveis na Amazon Brasil:

Presos que menstruam, de Nana Queiroz (2015) - https://amzn.to/36r7Gol

Estação Carandiru, de Drauzio Varella (1999) - https://amzn.to/2VkLUMT

Prisioneiras, de Drauzio Varella (2017) - https://amzn.to/2HXl7Dh

Regime fechado, de Débora Driwin Rieger Zanini (2016) - https://amzn.to/3lrMjaL

Cadeia, de Debora Diniz (2015) - https://amzn.to/3mtYDsj

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W