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Espancado brutalmente por neonazistas: O bárbaro assassinato de Alberto Adriano

Em 11 de junho de 2000, o moçambicano foi abordado por um trio de cabeça raspada enquanto voltava de uma partida de futebol

Fabio Previdelli Publicado em 06/03/2021, às 10h00

Cerimônia em homenagem aos 20 anos do assassianto de Alberto Adriano
Cerimônia em homenagem aos 20 anos do assassianto de Alberto Adriano - Divulgação/ Facebook/ Embaixada da Alemanha em Maputo

Na noite de 11 de junho de 2000, o moçambicano Alberto Adriano, com 49 anos na época, voltava para casa depois de ver um jogo de futebol com amigos. Naquele sábado, em Dessau, na parte oriental da Alemanha, três jovens o encurralaram em um parque, conforme explica matéria do Jornal de Notícias, de Portugal. 

O grupo de neonazistas só buscava um pouco de “diversão” quando encontrou o homem negro. Em questão de minutos, Adriano estava no chão, todo ensanguentado. Sua situação já era grave.

Devido à gravidade dos ferimentos, foi levado às presas para o Hospital de Dessau, onde foi internado na UTI. Os médicos fizeram de tudo e Alberto tentava ser forte. Mas nada adiantava. Seu sofrimento teve fim três dias depois de ser levado a instituição e ficar em coma. 

O moçambicano já não respirava mais. Estava morto. Os principais envolvidos eram: um indivíduo de 24 anos, que seria o líder do grupo; e dois adolescentes, que tinham apenas 16 anos quando o brutal crime foi cometido.  

A vítima

Alberto Adriano, um homem de família e trabalhador, deixara uma mulher e três filhos. Ele estava em Dessau há quase doze anos. Havia se mudado para a Alemanha em 1988, após um acordo bilateral entre o país europeu e sua terra natal, que culminou com o envio de trabalhadores.  

Naquela nação da Europa Ocidental, que há pouco mais de 50 anos já havia chocado ao mundo com as barbáries cometidas por um ditador, o africano escolheu tentar uma vida melhor, trabalhando num matadouro de animais.  

Em troca, recebeu a ira de um grupo que passou anos se escondendo, mas que cada dia mais dão demonstrações de que toda a ignorância que pregam faz adeptos ao redor do mundo.  

O julgamento 

Dois meses depois do crime, a alemã Angelika, esposa de Adriano, foi posta frente a frente com os cruéis assassinos de seu marido — com quem teve três filhos. Na ocasião, os relatos sobre o que aconteceu no parque foram ouvidos pela primeira vez desde que o caso começou a ser investigado.  

Os promotores que julgavam o caso, segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo na época, disseram que os dois garotos de 16 anos e o outro envolvido, de 24, confessaram o espancamento do moçambicano. A motivação, segundo alegaram, foi o ódio que supriam por estrangeiros.  

De acordo com a matéria, eles contam que abordaram  Adriano com insultos que falavam rotineiramente, como “O que você está fazendo na Alemanha?”, ou então slogans racistas como “negro fora” e “caia fora de nosso país, seu negro porco”.  

As investigações disseram que Albrto foi brutalmente espancado. Ao cair no chão, o moçambicano recebeu diversos chutes de seus agressores, que usavam botas militares. Enrico Hilprecht, o mais velho do bando, foi acusado de ter pisado com o calcanhar na cabeça dele por, pelo menos, dez vezes.  

Quando já estava desacordado e não se mexia mais, o trio ainda tirou as roupas da vítima e continuaram a arrastá-lo e golpeá-lo. Os atos violentos prosseguiram até serem interrompidos por um carro policial, que chegou até o local.  

Durante o julgamento, Enrico, além de Christian Richter e Frank Miethauber, os outros dois menores envolvidos no brutal assassinato, continuaram a usar seus cabelos bem curtos, uma marca presente nos grupos neonazistas que eles frequentavam.  

Apesar da violência neonazi não ser, infelizmente, algo raro, o crime contra Alberto chocou a todos no país. A cidade de Dessau, que é mais conhecida por ter sediado o movimento de arte de Bauhaus, havia sido palco de atos da extrema-direita poucas vezes, o que corrobora com o fato do trio de agressores terem vindos de fora da cidade.  

Ao fim de todo o processo, Enrico Hilprecht foi considerado o principal autor do homicídio, sendo condenado à prisão perpétua. Já Christian Richter e Frank Miethauber, que por serem menores de idade não podiam ser condenados a mais de dez anos, acabaram pegando 9 anos cada. 

A memória de Alberto Adriano é relembrada todo ano no parque onde ele foi brutalmente assassinado. Por lá, em todo 11 de junho, movimentos cívicos prestam suas homenagens trazendo coroas de flores até o memorial que foi erguido em sua recordação. 


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