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Zoológico de Varsóvia: o casal polonês que salvou 300 judeus dos horrores do Nazismo

Usando o próprio zoológico abalado pela guerra, Jan e Antonina Zabinski conseguiram despistar os soldados da SS durante muito tempo

Caio Tortamano Publicado em 04/01/2020, às 09h00

Cena do filme O Zoológico de Varsóvia (2017)
Cena do filme O Zoológico de Varsóvia (2017) - Divulgação/Focus Features

Inspiração para o filme O Zoológico de Varsóvia, lançado em 2017, a história de Jan e Antonina Zabinski é mais uma das sagas incessantes de pessoas que tiveram a coragem de desafiar as ocupações nazistas e proteger judeus das atrocidades do Führer. 

Jan era o diretor do zoológico de Varsóvia, localizado na Polônia, mas também fazia parte da resistência polonesa contra os nazistas. Diante dos horrores dos nazistas, passou a usar sua influência como superintendente dos parques da cidade para passar comida, e depois de um tempo, judeus pelos guetos.

Antonina, por mais que soubesse do envolvimento de Jan com a resistência, não fazia ideia de todas as atividades do marido, que também contrabandeava armas, construía bombas e até envenenava carnes que seriam oferecidas aos soldados da SS.

Jan Zabinksi e um dos leões de seu zoológico / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1944, enquanto lutava na Revolta Polonesa de Varsóvia, Jan acabou sendo ferido em combate e consequentemente preso em um campo de concentração pelos alemães. Todavia, Antonina e o filho deles, Ryszard, continuaram ajudando a comunidade judaica.

Eles usavam o zoológico como esconderijo para diversos judeus, abrigando-os em jaulas vazias, que estavam localizadas na própria casa deles, e túneis subterrâneos. Antonina usava música para se comunicar com os protegidos. Quando tocava uma canção específica, era o sinal de que havia nazistas por perto, outra indicava que eles já tinham ido embora. 

Para esconder os nomes judeus, a dona do zoológico dava nome de animais para identificá-los sem ter o risco de ser flagrada por algum nazista. Uma família que estava sob sua proteção, por exemplo, foi apelidada de Os Esquilos. Ainda pensando em ajudar as vítimas do sistema nazista, ela usava tinta para mudar a cor do cabelo das mulheres judias. Com madeixas loiras, elas ganhavam uma nova identidade. 

Jan sobreviveu ao campo de prisioneiros e conseguiu voltar para sua família, ocupando um cargo na Comissão Estadual de Preservação da Natureza. Além disso, foi autor de 60 livros de ciência.

Antonina e Jan Zabinksi / Crédito: Reprodução

 

Dos mais de 300 judeus ajudados pelos Zabinski, apenas dois morreram durante o período da guerra. Todos os outros conseguiram, comprovadamente, fugir e se refugiar em outros lugares.


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