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Estereótipos polêmicos: Conheça Dr.Seuss, autor americano com obras banidas por conta de racismo

Assim como ocorreu com Monteiro Lobato no Brasil, a reavaliação da fundação que administra o legado de Dr.Seuss foi alvo de críticas

Ingredi Brunato, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 10/03/2021, às 07h00

Fotografia de Dr. Seuss quando era novo
Fotografia de Dr. Seuss quando era novo - Wikimedia Commons

No fim do ano passado, a bisneta de Monteiro Lobato, que se chama Cleo Monteiro Lobato e é responsável por administrar o legado literário do escritor, anunciou que haveria um relançamento das obras com a supressão de trechos considerados racistas.

“Eu acho que há passagens problemáticas para quem lê os livros hoje em dia. A gente queria uma versão atualizada, cujo teor fosse compatível com os valores sociais contemporâneos, mas que mantivesse o estilo do Lobato”, explicou a moça a respeito de sua decisão em entrevista à Folha de São Paulo. 

Nos Estados Unidos um autor e cartunista acabou vivenciando uma situação semelhante a do criador do universo do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Dr. Seuss, cujas obras destinadas ao público infantil passaram a ser vistas de maneira diferente frente aos valores atuais. 

Personagem mais conhecido de Dr. Seuss / Crédito: Divulgação 

 

O que aconteceu 

Os responsáveis por administrar o legado do norte-americano emitiram um comunicado na quinta-feira passada, 4, dizendo que tomaram a decisão não de simplesmente reformular os livros em quadrinhos do escritor, como foi feito por aqui em relação a Lobato, mas deixar de publicar certos títulos considerados problemáticos. 

“Cessar as vendas desses livros é apenas parte de nosso compromisso e nosso plano mais amplo para garantir que o catálogo da Dr. Seuss Enterprises represente e apoie todas as comunidades e famílias”, escreveu a organização, de acordo com o que foi divulgado pelo site All That's Interesting.

Segundo avaliado pelo órgão, seis dos livros do autor traziam estereótipos raciais. Em um deles, chamado “If I Ran The Zoo” (Ou “Se eu mandasse no zoológico”, em tradução livre), por exemplo, mostrava homens africanos usando saias feitas de grama e descalços. 

Dois dos livros banidos / Crédito: Getty Images

 

Além disso, ainda segundo o mesmo site, vale dizer que a obra de Dr.Seuss em geral não possui muita representatividade racial: embora o cartunista tenha criado um total de 2.240 personagens humanos, apenas 2% deles não são brancos. 

Repercussões 

De forma curiosa, os livros que iriam deixar de ser publicados passaram por uma alta de vendas em todos os sites em que estavam disponíveis, alcançando por exemplo o ranking de mais vendidos da Amazon. 

A decisão da Dr.Seuss Enterprises também gerou debate nos Estados Unidos, como ocorreu no Brasil com a bisneta de Lobato, com termos como “censura” e “cultura do cancelamento” sendo levantados por internautas. 

O comentarista conservador Ben Shapiro, por exemplo, fez uma publicação em sua conta do Twitter apontando que: “Agora temos até mesmo fundações de livros queimando os autores a quem deveriam se dedicar. Muito bom, pessoal”. 

De acordo com Katie Ishizuka e Ramón Stephens, todavia, autores de um artigo que apontou para o “orientalismo, anti negritude e supermacia branca” presentes na obra do escritor norte-americano, a decisão teve um caráter positivo.

“Minimizar, apagar ou não reconhecer as transgressões raciais de Seuss em toda a sua carreira editorial nega o impacto histórico muito real que tiveram sobre as pessoas de cor e a maneira como continuam a influenciar a cultura, a educação e as visões das crianças sobre as pessoas de cor”, escreveram os estudiosos.


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